março 29, 2012

Vigilância de Botucatu apreende 130 animais em situação de maus tratos

A Vigilância Ambiental em Saúde e a Polícia Militar, através de liminar conquistada pela Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura Municipal de Botucatu, averiguou uma residência onde era realizada a criação irregular de cães, para a venda de filhotes, no Setor Norte da cidade, região da Vila dos Lavradores.


Boa parte dos animais era de raça de alto valor no mercado, como Spitz Alemão, Shitzu, Maltês, pequinês, entre outros que chegam a valer até mais de R$ 2 mil.

Segundo informa a coordenadora da Vigilância Ambiental em Saúde Gabriella Koppány González, durante a inspeção foi encontrado 130 cães de diversas raças em condições inadequadas, com a higiene precária e espaço físico incompatível com a quantidade de animais, comprometendo o bem estar dos mesmos.

“A situação era de extremo cuidado, havia filhotes muito mal de saúde, o lugar cheirava mal, desidratados e desnutridos. Tivemos inclusive que aplicar a eutanásia, devido ao sofrimento pelo qual alguns deles estavam passando. Temos animais que necessitam de cuidados devido às doenças de pele e outros que devem passar por cuidados veterinários para recuperar a saúde”, explica Gabriela.

Diante das condições em que os cães foram encontrados a Vigilância, em parceria com a Associação de Proteção aos Animais (APA), efetuou a retirada dos cães daquela localidade. “Era uma produção em série de fundo de quintal”, coloca Gabriella.
A coordenadora da vigilância explica que esse caso configura duas situações: criação em situação irregular e acúmulo.
“Para criar animais para fins de reprodução é necessário ter um canil legalizado com veterinário responsável e seguir a legislação municipal. Já os acumuladores são aquelas pessoas que recolhem muitos animais, sem dar conta de cuidar de todos eles, ambas as situações são comuns”, ressalta.

A secretária da APA, Maria Cecília Altenhofen, informa que os cães foram distribuídos entre clínicas veterinárias, pet-shops e voluntários parceiros, que se comprometeram em preservar a saúde dos animais.

“Era uma situação extremamente desumana, cães eram mantidos em cativeiro 24 horas por dia e só saiam para a reprodução e em seguida eram presos novamente, tudo isso visando o lucro com a venda dos filhotes”, informa.

Informações exatas sobre a localização da criação irregular, nome dos voluntários que estão abrigando os animais recolhidos e a identificação da pessoa que mantinha os cães não foram divulgados pela APA e Vigilância em Saúde Animal, sob a alegação de que o caso ainda está correndo na justiça.
Prefeitura informa que a denúncia foi feita por vizinhos  da residência

Segundo informações da Secretaria de Comunicação de Botucatu, publicada no site oficial do município, a denúncia de que a residência estava sendo utilizada para a criação de cães para o comércio de filhotes foi feita pelos vizinhos da moradora, uma vez que o cheiro e o barulho incomodavam outras pessoas. Diante do fato, a VAS, através da Secretaria Municipal dos Negócios Jurídicos, obteve uma liminar, tornando a ação possível.

O comércio de animais em Botucatu deve estar de dentro da lei 4.904, de 11 de abril de 2008, pelo qual os criadores não regularizados podem ser autuados perdendo seus animais. De acordo com a VAS, a dona da casa, responsável pela venda dos animais, ainda pode ser autuada pelas péssimas condições do local.

De acordo com o supervisor de serviços de saúde ambiental e animal, Valdinei da Silva, a operação foi surpreendente. ”Nós recebemos muitas denúncias e averiguamos muitos casos, mas nenhum com a quantidade de animais que apreendemos nessa operação”, resumiu no site da prefeitura.

De acordo com a Vigilância em Saúde Animal, o caso vem sendo denunciados há anos. “Já tentamos vistoriar o imóvel de forma menos impactante, porém nunca fomos recebidos e as tentativas de vistorias de rotina no local eram traumáticas. Só então decidimos apelar para a justiça”, ressalta Gabriella.

APA busca auxílio para o tratamento dos animais

Segundo a secretária da APA, Maria Cecília Altenhofen, serão iniciadas duas campanhas importantes para o tratamento dos animais, a coleta de recursos para o tratamento dos cães recolhidos pela Vigilância em Saúde Animal, e a busca por interessados em adotar os animais da APA, nas feiras realizadas aos sábados pela manhã, na Praça Comendador Emílio Peduti (Bosque).

“Esses animais que foram recolhidos fazem parte de um processo e não estarão à disposição para adoção. Porém, precisamos abrir espaço para esses animais junto a nossos apoiadores, apressando a doação daqueles que estão sob nossos cuidados há mais tempo”, explica Altenhofen.

Com relação ao tratamento, a entidade informa que boa parte dos animais recolhidos está sob responsabilidade de veterinários voluntários, que utilizam recursos próprios para a aquisição de medicamentos e outros itens necessários para garantir a saúde e o bem estar dos mesmos, porém, seria de extrema importância conquistar apoio para minimizar os gastos desses profissionais.

“Todos os animais já estão sendo tratados e medicados da forma correta, porém queremos minimizar as despesas dos voluntários, que estão dedicando tempo e recurso para isso”, revela.