dezembro 24, 2009

Sim, Papai Noel existe

Em 1897, Virginia O'Hanlon Doulgas, 8 anos, escreveu uma carta ao jornal The New York Sun, para esclarecer uma dúvida: Papai Noel realmente existe?

A jovem estava descrente. Seus amigos afirmavam que o Velho Noel não passava de mito. Uma história para garantir o bom comportamento das crianças.

A decisão em escrever a carta foi tomada após ouvir seu pai: "Se está no The Sun, é verdade". Se, tudo o que está no jornal é verdade, eles não mentiriam sobre algo tão importante como o Papai Noel.

A carta de Virginia foi repassada para o jornalista Francis Church, que teve a missão de transmitir uma resposta à altura da credibilidade do jornal e que não desapontasse a jovem leitora.

A carta de Virgínia e a resposta do jornalista se tornaram ícones natalinos, sendo transmitidas através de gerações.
Abaixo, como presente aos leitores, repasso integralmente os textos.

"Sim, Virginia, existe Papai Noel

Página editorial do jornal "The New York Sun" , em 1897.

Nós temos o prazer de responder à carta abaixo, expressando ao mesmo tempo nossa gratidão por sua autora estar entre os leitores fiéis do The Sun.

Eu tenho 8 anos. Alguns dos meus amiguinhos dizem que Papai Noel não existe. Meu pai sempre diz, “se estiver no "Sun" , então existe”. Por favor, diga-me a verdade: Papai Noel existe?

Virginia O´Hanlon

Virginia, seus amiguinhos estão errados. Eles têm sido afetados pelo ceticismo de uma era marcada pela descrença das pessoas.

Eles não acreditam no que não vêem. Eles não acreditam no que suas pequenas mentes não podem entender. Todas as mentes, Virginia, são pequenas, não importa se são de crianças ou de adultos.

Neste nosso grande universo, o homem é um mero inseto, uma formiga, quando seu cérebro é comparado com o infinito mundo ao seu redor, ou quando ele é medido pela inteligência capaz de absorver toda a verdade e conhecimento.

Sim, Virginia, existe Papai Noel.

É tão certo que ele exista, como existe o amor, a generosidade e a devoção, e você sabe que tudo isso existe em abundância para dar mais beleza e alegria a nossas vidas.

Ah! Como o mundo seria sombrio se Papai Noel não existisse! Seria tão triste como se não existissem Virginias. Não haveria então a fé das crianças, a poesia, nenhum romance que tornasse tolerável a existência. Nós não teríamos nenhuma felicidade, exceto em nossos sentidos. A luz acesa com a qual as crianças enchem o mundo estaria apagada.

Não acreditar em Papai Noel! É como não acreditar nas fadas.

Você deveria pedir ao seu pai que contratasse muitos homens para que eles vigiassem todas as chaminés, e assim você pegaria o Papai Noel, mas, mesmo que você não o veja descendo por uma das chaminés, o que isso provaria?

Ninguém vê Papai Noel, mas não há nenhum indício de que ele não existe. As coisas mais reais deste mundo são aquelas que nem as crianças e nem os adultos podem ver. Você já viu as fadas dançando no campo? Claro que não, mas não existem provas de que elas não estão lá. Ninguém pode compreender ou imaginar todas as maravilhas do mundo que são invisíveis e que nunca poderão ser admiradas.

Você quebra o chocalho de um bebê e vê o que faz o barulho por dentro dele, mas existe um véu que cobre o mundo invisível, que nem mesmo o homem mais forte, nem mesmo a união das forças dos homens mais fortes do mundo poderia rompê-lo.

Apenas a fé, a poesia, o amor e a imaginação podem abrir esta cortina, ver e pintar a beleza sobrenatural e a glória que estão por trás dela. E tudo isso é real?

Ah, Virginia, em todo esse mundo não há nada mais real e permanente.

Não existe Papai Noel? Graças a Deus que ele vive, e que viva para sempre. Daqui a mil anos, Virginia, ou daqui a cem mil anos, ele continuará a trazer alegria para o coração das crianças."