novembro 23, 2008

Garota de 3 anos, estuprada em Botucatu, tem aposentadoria negada

Por Renato Fernandes

O drama vivido pela garota Vitória, 4 anos, entra em uma nova fase. O pedido de aposentadoria por invalides foi negado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Segundo a amiga da família, Elisabete Correia, o motivo seria a incompatibilidade salarial do tio da criança. “Ele recebe R$ 517 bruto, R$ 100 a mais do que o necessário para a liberação do benefício”, disse.“Não concordo com essa decisão do INSS. O salário dele é usado no pagamento do aluguel, e nas despesas da casa, onde residem cinco pessoas”, completa.

Vitória tem metade do corpo paralisado, não enxerga e se alimenta com dificuldade, quadro provocado por um estupro sofrido aos 3 anos, no dia 17 de outubro de 2007, em Rubião Júnior. Ela teve traumatismo craniano, fratura nas costas e lesões nas regiões da vagina e ânus. O acusado do crime é o padrasto Fernando Souza Silva, que era casado com a avó da garota, e que já está preso.

A situação se torna mais difícil já que a tia, e atual responsável por vitória, Selma Pacheco, não pode trabalhar para acompanhar o tratamento médico da sobrinha. “Eles gastam muito com condução, e despesas médicas, já que a criança faz fisioterapia, fonoaudióloga, equoterapia, dentre outros tratamentos. Acionar a ambulância para cada sessão é praticamente impossível”, disse.

A perícia da menina no INSS ocorreu no dia 24 de setembro e, segundo Elisabete, o resultado foi divulgado na sexta-feira. “Tivemos que ir buscar o resultado. Procuraremos auxílio legal, vamos acionar um advogado e ver o que podemos fazer para reverter essa situação”, coloca.

O caso - O estupro da criança ocorreu na casa de Sidineia Proença da Silva, avó materna e amásia do acusado, onde a menina residia. A violência foi tanta que ela teve fraturas nas costas, pernas e ferimentos graves em seus órgãos genitais.

Funcionários do hospital onde a menina foi atendida ficaram chocados com a gravidade de seu estado.

Ela foi socorrida e ficou em coma por alguns dias. Após receber alta, passou a morar com os tios paternos. Sua recuperação física é lenta.

Conforme informações da polícia, Silva estava sob efeito de entorpecentes na hora do crime, mas é acusado de agredir a vítima com freqüência.

Sidineia, esteve presa por 60 dias por facilitar a fuga do amásio e não ter denunciado o estupro com rapidez.

Outro lado - A reportagem tentou contato com a chefe do INSS de Botucatu, Ana Cristina Ferreira, pelo telefone celular, mas o mesmo não foi atendido. Fato que se repetiu nas tentativas de contato nos telefones da agência de Botucatu.