novembro 13, 2008

Dallas: vida dedicada às imagens

Com 34 anos de carreira e apaixonado pela
fotografia, Dallas mantém o romantismo

Por Renato Fernandes

Dedicação, amor e romantismo profissional, assim podemos definir o trabalho do fotógrafo Ângelo Dalanezi, ou Dallas - como ficou conhecido na cidade de Botucatu. Aos 79 anos, aposentado há 10, ele não abandona as lentes e muito menos foge de uma boa fotografia esteja ela onde estiver.

Dallas iniciou a carreira aos 36 anos, em 1974 e a primeira imagem registrada foi o tombamento de um trem, no pontilhão da Fepasa. Saudosista ele se lembra de como armou o tripé, a regulagem da lente e o ângulo usado para registrar o fato histórico. Hoje, sexta-feira 14, o Centro Cultural de Botucatu presta uma homenagem a esse fotógrafo, promovendo a Exposição "Olhar da Natureza", com abertura programada às 19h30, na sede da entidade, na Praça XV de Novembro, nº 30.

Em entrevista ao blog "O Grito Notícias" Dallas declara o seu amor pela fotografia e a respeito da exposição que contará apenas com imagens de flores.

Confira abaixo os principais trechos da conversa que durou cerca de uma hora, entre os livros do CCB.

O Grito – De onde surgiu a idéia de simplificar seu nome profissional para Dallas?
Dallas –
Quando montei meu estúdio, em 1974, ele deveria se chamar Fotos Dala, conversando com um amigo ele sugeriu que eu mudasse para Dallas e explicou que se tratava de uma cidade famosa dos Estados Unidos. Decidi mudar e atualmente me conhecem mais como Dallas do que Dalanezi.

O Grito – Quando começou ao seu interesse pela fotografia?
Dallas –
Isso vem desde moleque. Queria saber como é que fazia para enfiar a cara das pessoas no papel. Não foi fácil descobrir, foi muito difícil! O equipamento era caro, tinha que ‘fazer banho’, lavar a fotografia e secar.
A primeira câmera eu emprestei de um amigo. Meu primeiro equipamento próprio fui buscar em São Paulo e trouxe junto um ampliador. Tenho esse material todo guardado em um quarto até hoje. Sou fotógrafo desde 1974, antes eu enfrentava alguns problemas e queria ser fotógrafo, para isso tive que parar e tomar uma importante decisão antes de assumir a carreira.

O Grito – Você é reconhecido em toda a cidade. Qual o segredo para essa projeção?
Dallas -
Nunca recusei um serviço. A minha promessa era abrir as portas com esse ideal, nunca recusar trabalho, seja para jornal, eventos ou qualquer outra cobertura. Uma vez um doutor me pediu para fotografar um livro, isso eu nunca tinha feito. Falei que sim e acabei dando as fotos de presente. Peguei o trabalho só pelo desafio.
Agora, os fotógrafos chegam nas lojas de fotografia pegam o filme e puxam do rolo com força e isso dói no coração, tem a gordura da mão e não é assim que se trata o material de trabalho. Tem muita coisa que os profissionais fazem hoje e que prejudica o mercado. Temos talentos na cidade, mas não é como no meu tempo, é tudo diferente.

O Grito – A relação do fotógrafo com o mercado de trabalho mudou ao longo desses anos?
Dallas -
Para quem está começando não existem mais dificuldades. Ficou simples, tiram as fotos jogam no computador e pronto. Para nós não, íamos fotografar depois eram 20 minutos de revelação, meia hora de lavagem e em seguida secagem das fotografias. Ficava muito tempo no laboratório, e só não demorava mais porque deixava tudo meio pronto.

O Grito – Isso quer dizer que a paixão pela fotografia está além do clique?
Dallas -
Eu detesto mandar revelar os filmes. Mas quando entrou o formato em cores tudo ficou mais difícil, a revelação passou a depender de máquinas muito caras que não tínhamos como comprar. Antes era tudo manual. Se der para fazer o trabalho em preto e branco eu faço a revelação em casa.

O Grito – O mercado é muito competitivo?
Dallas -
Quando eu comecei existiam outros profissionais de muita qualidade, o Rocha, o Alcides e o Progresso Garcia são exemplos. Não existia competitividade, mas um furava o olho do outro no preço. Coisa que existe até hoje. É uma briga pelo preço.

O Grito – A fotografia perdeu muito com a invasão dos equipamentos digitais?
Dallas –
A máquina digital vem tomando o serviço dos profissionais. Quando tiramos uma foto sabemos o melhor ângulo para deixar a imagem boa, com essas máquinas, e para os fotógrafos amadores tanto faz o ângulo, aperta o botão e se contenta com o que sai.
Não tenho máquinas digitais e não sei nem como é que segura esse tipo de equipamento. É muito diferente do que estou acostumado. Perdemos muito. Considero dois momentos importantes para o fotógrafo: o registro da imagem e a revelação do filme.
O Grito – Você acredita que a profissão perde com os equipamentos digitais?
Dallas –
O mercado vem ficando ruim desde a entrada da foto colorida. Quando começamos a depender de máquinas sofisticadas e não apenas do fotógrafo.

O Grito - Percebo que a sua relação com a fotografia vai além da profissão?
Dallas -
Sou apaixonado pela fotografia. É só chamar a atenção que eu estou fazendo a foto. Atualmente o pessoal está mais interessado no dinheiro que na profissão. Eu sou o contrário, prefiro a profissão ao dinheiro. Já sofri por isso e tive prejuízos, mas se pudesse voltar não escolheria outro ramo. Trabalhei em várias coisas, fui de sapateiro, farmacêutico e pintor de paredes, mas era a foto que me atraia. Com o passar dos anos tem ocorrido uma desvalorização muito grande, antigamente íamos a um casamento e lá existia uma mesa reservada ao fotógrafo, onde não sentava ninguém, agora, se abusar, não comemos nem um doce e passamos o tempo todo em pé.

O Grito – Você é autor da foto clássica que registra a passagem de um trem tendo ao fundo o Morro do Peru. Como foi registrar essa imagem, ela foi trabalhada ou o acaso ajudou?
Dallas -
Telefonei para estação perguntando o horário e fui informado que o trem passava naquela região por volta das 9 horas. Fui para lá e acabei aguardando até as 16h30, sem almoçar, eu não tinha nem um copo de água. Mas a imagem valeu cada momento que fiquei naquele ponto da serra. Essa foto é meu carro chefe.

O Grito – Você foi contratado por anos, para registrar as principais apresentações do Teatro Municipal de Botucatu. A experiência foi válida?
Dallas –
Foram momentos muito marcantes em minha carreira. Encontrei muitos artistas amigos e outros nem tantos. Certa ocasião, uma pessoa me pediu para ser fotografada ao lado do Paulo Autran. Fui até ele e solicitei que fizesse a pose ao lado da fã e ele não quis nem saber, deu as costas para mim. Já o Tony Ramos foi um dos mais simpáticos que eu tive a honra de fotografar, foi amigo. Sentou, conversamos e pediu uma fotografia para seu álbum particular. Ele compreende a profissão, brincou e riu com todos os fotógrafos.
Passei também por situações difíceis. Certa vez fui fotografar um dos cantos do palco e um rapaz me empurrou e xingou diante de uma platéia com mais de 500 pessoas. Eu fiquei sem saber onde enfiar a cara.

Teatro Promíscuo em São Manuel

Por Renato Fernandes

No sábado, dia 15, a cidade de São Manuel receberá o espetáculo “Admirável Mundo Novo”, a nova produção do grupo Teatro Promíscuo, em sessão às 19 horas, no Cine Teatro Municipal “Dr. Alberto Pampado”. A apresentação integra o Circuito Cultural Paulista.

A adaptação para o teatro da famosa obra de ficção de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo” é a mais recente montagem do grupo paulistano.

O espetáculo também marca a comemoração dos 50 anos de teatro do ator Renato Borghi. Fundador do Teatro Oficina juntamente com Zé Celso Martinez Corrêa, Borghi revolucionou o teatro brasileiro nos anos 60 com o Tropicalismo, a contracultura e o teatro de resistência. É considerado um dos maiores atores brasileiros vivos. Fundou o grupo Teatro Promíscuo com o ator e diretor Elcio Nogueira Seixas.

O Teatro Promíscuo vem acumulando sucessos e propondo novas pesquisas e linguagens teatrais. A principal proposta do Teatro Promíscuo é a troca de experiências com artistas oriundos de "escolas" diferentes e com variadas orientações.

A história se passa após um terrível período (A Guerra dos Nove Anos) e de um grande colapso econômico, os homens tiveram que escolher entre uma "direção mundial" fundamentada em determinados princípios de controle, ou a destruição da humanidade.

O espetáculo Admirável Mundo Novo é indicado para maiores de 16 anos.

Cine Clube Ybitu Katu lança blog

Por Renato Fernandes

O Cine Clube Ybitu Katu, que promove sessões temáticas no Centro Cultural de Botucatu aos sábados, aposta em novas mídias para divulgar suas ações e lançou no final da semana passada seu blog oficial e que pode ser acessado pelo endereço: www.cineclubeybitu katu.blogspot.com.

O cine-clube foi lançado em outubro de 2008, e vem trabalhando através de temáticas mensais. O objetivo é criar um espaço para exibições de filmes que estão fora do eixo comercial de cinema.

As exibições são aos sábados às 19:30, no Centro Cultural de Botucatu (Praça XV de Novembro, 30)
Os organizadores pedem a contribuição de um quilo de alimento não perecível, que é destinado para entidades beneficentes do município.

Ganhando da rede - O Cine Clube não é a primeira manifestação cultural da cidade a buscar divulgação de suas atividades através de blogs, a Quadrilha de Teatro Notívagos Burlescos tem se utilizado desse mecanismo on-line para manter seu integrantes em dia com as últimas informações do grupo.

O blog da Quadrilha pode ser acessado no seguinte endereço: notivagosburlescos.blogspot.com .

Felicidade Interna Bruta é o tema do Luz no Campus de novembro

A Faculdade de ciências Agronômicas de Botucatu (FCA), promove no dia 19 de novembro, mais uma edição do projeto “Luz no Campus”, com a conferência “Felicidade Interna Bruta”, ministrada pela professora Ondalva Serrano.

Ondalva defende que a principal missão dos seres humanos é resgatar a sintonia com as leis que regem a vida e sua sustentabilidade para reconstruir uma organização social compatível com o universo.

“O indicador de vida, saúde e sustentabilidade de uma pessoa é seu bem estar, conforto e satisfação. Esse ‘bem estar’ está diretamente associado ao atendimento de suas necessidades básicas essenciais de ser humano inteligente e consciente”.

A conferência de Ondalva Serrano encerra as atividades deste ano do “Projeto Luz no Campus - filosofia ao entardecer”, que pretende estimular a reflexão sobre temas de filosofia, ética, política, ciência e cultura.

O evento, promovido pela FCA e Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais é aberto ao público em geral e a entrada é 1kg de alimento não perecível.

Software avalia risco ambiental de agrotóxicos

Avaliar os riscos ambientais provocados por agrotóxicos essa é a intenção de um software que está em desenvolvimento pela Faculdade de Ciências Agronômicas – FCA/Unesp e a Fatec – Faculdade de Tecnologia, vinculada ao Centro Paula Souza, ambas em Botucatu, SP e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). O programa vai considerar a possível contaminação das águas superficiais e subterrâneas.

O software se adapta às condições do local a ser avaliado, mediante a inserção de dados no sistema pelo próprio usuário, tomando como base modelos matemáticos e cenários agrícolas, onde o usuário insere os dados do agrotóxico, do aqüífero e do solo a ser avaliado. Em seguida o software faz automaticamente os cálculos de lixiviação e carreamento superficial dos agrotóxicos utilizados na cultura agrícola e que depois podem poluir as águas superficiais e subterrâneas.
O programa, que será distribuído gratuitamente.
O software foi desenvolvido durante o estágio do então aluno Diego Augusto de Campos Moraes, hoje formado em Informática para a gestão de negócios pela Fatec de Botucatu, sob a orientação do analista de informática Jayme Laperuta Filho e da programadora Rosilene Domingues Laurente, da equipe do Serviço Técnico de Informática da FCA.