outubro 26, 2008

Inédito no interior, FMB/Unesp institui Núcleo de Bioética em Situação Clínica

Por Flávio Fogueral

Atuar diretamente com questões éticas na assistência ao paciente. Desta maneira, médicos e demais profissionais da saúde lidam em seu cotidiano com situações complexas onde há a necessidade do debate multiprofissional e ético.

No entanto, oferecer subsídios para enfrentar tais cenários dentro da medicina tem sido um desafio às instituições de ensino e hospitais no século XXI. Com este objetivo, a Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) instituiu, de forma pioneira no interior paulista, o Núcleo de Bioética em Situação Clínica.

O núcleo será responsável por abordar questões éticas em procedimentos clínicos na faculdade, além de oferecer assessoria e consultoria a profissionais da área da saúde, assistência e relacionamento com o paciente. Suas atribuições incluem também o desenvolvimento de ações educativas quanto a assuntos pertinentes à ética em atendimento médico. Nos próximos meses, departamentos de ensino, pesquisa e assistência em saúde da FMB e do Hospital das Clínicas (HC) passarão a contar com o trabalho integral da comissão.

O professor emérito William Saad Hossne e profª Heloísa Wey Berti foram nomeados os coordenadores do núcleo que será composto ainda por profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares), áreas humanas (teólogos, filósofos, juristas), além de representantes dos usuários dos serviços de saúde. Os membros terão mandato de dois anos.

A necessidade de se criar um núcleo de auxílio ao profissional da saúde em questões complexas, conforme Saad, veio do rápido desenvolvimento da ciência, em especial da medicina. A instituição de novos tratamentos e o perfil que o paciente passa a ter são fatores que influenciaram diversas questões éticas. Muitas delas sofreram influência maior e significativa de outros segmentos da sociedade.

“Verifica-se, cada vez mais, a presença da bioética nas atividades e questões da saúde, que não é uma questão que afeta somente os médicos. Para estes profissionais é de extrema importância a relação com outras áreas”, declara o professor.

Saad frisa que a iniciativa tem sido implantada com sucesso em alguns hospitais como o Hospital das Clínicas, em São Paulo, mas a essência em oferecer assessoria contínua ao profissional da saúde se difere da proposta do núcleo local. “Normalmente são comissões que elaboram pareceres. Pretendemos oferecer assessoria e orientação em questões éticas que surgem dentro de um ambiente hospitalar”, diz. “O desafio é ampliar este debate ao agregar pessoas de diferentes formações já que a bioética envolve diferentes opiniões”, complementa.

A instituição de um núcleo de apoio terá como impacto principal, salienta o professor, o preenchimento de uma lacuna quanto às discussões éticas, as quais ficavam restritas às Comissões de Éticas Médicas. Além disso, a prestação da assessoria permitirá ao profissional ter uma visão ampla quanto a procedimentos e medidas a serem adotadas em casos complexos. “As questões éticas envolvem toda a sociedade e não podem ser vistas exclusivamente sob um ângulo profissional único”, finaliza prof. Saad.