fevereiro 29, 2008

Izabel Fumes: o empreendedorismo quebrando barreiras

Por Flávio Fogueral
Fotos Flávio Fogueral

Quebra de barreiras através do empreendedorismo.Assim pode ser contada a história de Izabel CristinaPaes Fumes, sócia-proprietária da Usiferman/Botumafer. Natural de Conchas, a empresária mudou-se com 4 anos para Botucatu, onde optou por morar. Casada, ela tem três filhos e a história de sua empresa se confunde com a dedicação e o envolvimento da família. A oportunidade em montar a empresa surgiu após trabalhar por 17 anos no departamento pessoal da Staroup. O motivo principal para esta empreitada se devia ao fato de que um de seus filhos cursava eletromecânica no Senai de Botucatu. Após a saída da fábrica de confecção, Izabel adaptou os fundos da própria casa como oficina, comprou uma máquina de torno usada, e passou a prestar pequenos serviços para empresas locais. Em sociedade com o irmão, Luiz Carlos Paes, professor também no Senai, a Usiferman/Botumafer tem se consolidado no mercado.
Com 10 anos no mercado, sua empresa conta com atualmente 18 funcionários está localizada no Jardim Universitário, próxima ao estádio municipal João Roberto Pilan, o Inca. A Usiferman já é uma das que mais prosperaram neste segmento em Botucatu. Fornece peças para serralherias, manutenção em máquinas para gráficas entre outros serviços. Tem como alguns de seus clientes a Induscar, Tecnaut, entre outras empresas de grande e médio porte em toda a região.
Uma das características de sua empresa é a adaptação à nova realidade e ao espaço
que as mulheres têm conquistado no mercado de trabalho e a quebra de barreiras e preconceito. Não é difícil a presença de mulheres no comando das máquinas de torno, principalmente no CNC, que é um torno automático e dá precisão na medida das peças produzidas. Na Usiferman já passaram 4 funcionárias e uma estagiária neste segmento de metalurgia. Até mesmo Izabel aprendeu ao longo dos anos algumas técnicas de tornearia e como ela mesma frisa, sempre que necessário auxilia os demais colaboradores da empresa na produção.
Em entrevista, Izabel enfatiza sua se acomodou e aceitou desafios, mesmo em um segmento em que é notória quase que a predominância masculina. Para ela, as mulheres têm capacidade de atuarem em qualquer profissão e não faz restrição quanto a sexo no mercado de trabalho. Ressalta ser uma pessoa caseira, que dá muita importância à família e que é possível conciliar as vidas profissional e pessoal, sem nenhum tipo de problema. A empresária também frisa que para se obter o sucesso é imprescindível que a organização tenha um relacionamento e atendimento
melhor que a concorrência. Abaixo, trechos da entrevista de Izabel Fumes:

Como surgiu a idéia de montar uma empresa de metalurgia?
Trabalhei na Staroup por 17 anos na área de departamento pessoal.
Acabei por me aposentar e com o dinheiro resolvi montar uma empresa e tentei a
usinagem. Meu filho estudava no Senai, onde fazia o curso de mecânica. Com isso
comprei um torno e comecei nos fundos da minha própria casa.


Muitas mulheres, quando se aventuram no empreendedorismo, procuram outros segmentos como a prestação de serviços e o comércio. Por que resolveu escolher o segmento de usinagem?
Minha família teve influência nesta escolha, pois como já havia dito, meu filho
fazia curso e meu irmão (que atualmente é sócio da Usiferman/Botumafer) que
também dá aula no Senai, que me deu uma assistência para abrir a firma. Atualmente
somos sócios.


A metalurgia é considerada como uma atividade masculina. Houve algum tipo de preconceito ou até mesmo de dificuldades de adaptação no início da empresa?
Defino-me como uma pessoa batalhadora. Gosto muito de trabalhar e como estive por 17 anos dentro da Staroup, aceitei o desafio em montar uma empresa de metalurgia.
Comecei a fazer peças para serralherias, no começo. Meu filho as fazia e eu vendia de porta em porta, onde comecei a entrar no mercado. Fiz uma série de cartões onde deixei em outras empresas e daí começou essa prestação de serviço. Acho que essa história de que a mulher não pode atuar neste segmento é uma lenda, pois ela pode tudo e o campo
está aberto. Temos que batalhar por isso pois também estamos no mercado, independente de sexo.

Inclusive a empresa tem algumas funcionárias que operaram alguns tornos...
Ela é uma funcionária que trouxe para trabalhar no torno CNC, que não exige muito esforço da mulher e isso deu certo. Algumas vezes operavam os tornos tradicionais, mas achamos melhor elas serem responsáveis pelo CNC pela facilidade com a qual ele oferece ao operador (a), pois não há tanto esforço físico.

Com esta nova realidade de convivência, como é o relacionamento entre os funcionários com as mulheres que trabalham na Usiferman/ Botumafer?
No começo haviam as brincadeiras, mas hoje o relacionamento é normal. Os homens têm aceitado melhor a presença das mulheres no mercado, pois elas são batalhadoras e não há problema algum em haver esta convivência.

Na região, você é a única mulher empresária no ramo da metalurgia. Já sofreu algum tipo de preconceito, até mesmo por parte dos clientes por causa disso?
No início diziam que achava estranho quando viam que eu tomava conta da empresa. Assustavam quando viam uma mulher pegar um serviço relacionado à mecânica. Houve problemas, mas isso passou com o tempo. Hoje muitos clientes pedem opiniões, sugestões para as peças e estão acostumados.

Sua empresa envolve quase que toda a família. Para você, ter esta união pode ser um diferencial para que o sucesso seja obtido?
Acho bom esse envolvimento, pois lutamos em conjunto para fazer uma empresa. No começo o Rodolfo me ajudou, estudou, mas quis sair. Hoje tem o Rômulo que fez Ciências Contábeis e me ajuda na parte financeira da empresa. É bom ter essa dedicação, pois quando acontecer alguma coisa ou eu resolver parar ele pode administrar a empresa. Tenho sobrinho que também trabalhou na empresa.

Durante 17 anos você trabalhou na Staroup e resolveu começar uma empresa do zero. O que diferencia uma empresa pequena da grande, já que o objetivo de ambas é o mesmo.
Acredito que a empresa começa devagar. Comecei vendendo pino de portão, roldana e hoje faço serviços para empresas grandes como a Induscar e a Tecnaut. O crescimento dela é aos poucos e isso é o importante e essa é a diferença, o contato direto com os clientes. Aprendi muita coisa na Staroup, e o que vai lhe dar destaque no mercado será o relacionamento e atendimento. Essa é a base de tudo, pois todos gostam de ser bem tratados.

Como é a Izabel no dia-a-dia? Consegue conciliar a vida empresarial com a pessoal?
Trabalho pelos meus filhos, sendo que dois já estão formados. Gosto muito de leitura, faço hidroginástica e adoro passear. Como sempre trabalhei fora de casa, não foi difícil conciliar estas duas 'vidas', dar assistência à minha família.








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