fevereiro 15, 2008


Você tem fome de quê?
No dicionário, fome é classificada como a urgência do corpo pelo alimento, falta do necessário, penúaria, miséria, situação de míngua ou escassez de alimentos. Pode ser a simples falta de dignidade que um sistema sócio-econômico impôs. E todos os dias há pessoas com a mais simples e ao mesmo tempo dolorosa fome que o mundo pode proporcionar.
Esta semana, uma reportagem do canal de notícias da Rede Record mostrou a realidade das pessoas que ainda sobrevivem com a simples coleta de alimentos descartados em feiras e também na Ceagesp, em São Paulo. Situação que pode acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Para mostrar o drama vivido, uma família foi tomada como exemplo. Chefiada por uma mulher, desempregada e com quatro filhos, a reportagem acompanhou seu trajeto de um bairro pobre da capital paulista até a Ceagesp. Lá, a mesma mulher encontra vizinhas, amigas e até parentes em busca de vegetais, legumes e frutas. No final, aquela personagem se mostra feliz com o que foi descartado e que agora está em sua sacola, como se fosse o único objetivo em sua vida: conseguir alimentos. Ao chegar em casa, abre a porta de uma modesta e velha geladeira e diz que somente o arroz é comprado em supermercado. Feijão havia sido deixado de lado há meses, quando o preço subiu. Já a carna é comprada uma vez por semana. Ela então prepara o almoço, às 16 horas. O pequeno cardápio inclui batata-frita, alface, arroz e um pedaço da carne comprada dias atrás. Para vivenciar a situação, o repórter da emissora resolve almoçar e elogia os ‘dotes’ culinários da catadora de alimentos, personificando uma ironia singular.
Por ser uma família numerosa, a preferência por se alimentar segue uma escala hierárquica inversa, como se fosse algo instintivo. A criança mais nova, de apenas 9 meses é a primeira a se alimentar e tem o ‘privilégio’ de tomar o suco feito com o melão recolhido na Ceagesp. Um lugar comum, já que a maior parte das famílias de baixa renda no Brasil são grandes. E muitas vezes quem mais sofre com esta realidade é o mais fraco: a criança, no caso. Na situação mostrada, com um pouco de sensacionalismo, mas aoa mesmo tempo com um olhar da verdade, eram essas crianças quem mais levavam nos olhos o verdadeiro sentimento que a fome pode proporcionar: desilusão e desespero.
Vale lembrar que há oito anos, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também se dizia vítima da fome, ao subir as escadarias de um palácio em uma cidade que ostenta o luxo e o poder, que somente uma capital federal pode proporcionar, se emocionou e prometeu que seu maior sonho seria de que ‘todo brasileiro fizesse uma refeição pelo menos uma vez por dia’. Estava criada ali a proposta do Fome Zero, que a princípio mobilizou, conscientizou a maior parte dos brasileiros. Surgiram ao longo dos tempos maneiras de tornar o programa mais eficaz até que foi incorporado ao Bolsa Família. Situação resolvida em parte. Não para aqueles que ainda estão abaixo da linha da pobreza. A estimativa é de que sejam 43 milhões de pessoas, ou seja,um terço da população, segundo a Fundação Getúlio Vargas, com dados de 2006. Brasileiros que todos os dias reviram latas de lixo, esmolam pelas ruas para simplesmente subsistirem. Não morrerem de fome.
Finalmente, vale a reflexão de que essa ‘fome’ pode ser mais abrangente. No Brasil se produz em excesso ao mesmo tempo que há pessoas com fome. De alimentos, saúde, segurança ou até mesmo de uma perspectiva de um futuro promissor. Em 1987, uma música composta pelos Titãs instigava a pensar seriamente a respeito disso: "Você tem fome de quê?"

Itatinga discute CDP com Seccional

Do site Itatinga News

O prefeito de Itatinga, Lineu Adalberto Barnabé "Biguá", o delegado Seccional de Polícia, Tadeu de Castro, lideranças políticas e representantes da sociedade reuniram-se na Câmara Municipal na última quarta-feira para discutir a possibilidade da construção de um CDP – Centro de Detenção Provisória no município de Itatinga. A iniciativa para essa discussão preliminar, para formar opinião sobre o assunto, junto com a sociedade e os poderes públicos, partiu do próprio prefeito Biguá.

Público participante da discussãoDe acordo com o delegado, a equipe técnica do Sistema de Administração Penitenciária do Estado já determinou que esse CDP será construído à margem da Rodovia Castelinho, na altura do limite de município entre Itatinga e Botucatu, a cerca de 11 quilômetros de Itatinga, próximo do trevo de Pardinho, numa área da Cia Suzano.Primeiramente, Castro posicionou os presentes sobre a necessidade dessa construção para abrigar os presos, que em se encontram em condições desumanas nas cadeias públicas da região de Botucatu.Segundo ele, esse CDP será composto de 8 módulos, sendo que cada um abrigará provisoriamente – até julgamentos – detentos de acordo com o grau de periculosidade.Como essa construção já foi definida pelo Governo do Estado, o objetivo da discussão esteve pautado na localização exata, ou seja, na divisa, mas do lado de Itatinga, ou no lado de Botucatu. O que ficar receberá os benefícios que o empreendimento, estimado em R$ 15 milhões, gerará.No entanto, o caso não foi fechado, e o prefeito Lineu, junto com o delegado Tadeu de Castro e vereadores,viajarão à São Paulo na próxima semana, onde se encontrarão com o Secretário de Administração Penitenciária, e com outros representantes de governo, para mais informações e apresentação de reivindicações que beneficiem Itatinga, caso o município resolva que a construção seja no lado itatinguense.

Mara Corrêa: Política, educação e a mulher

Por Flávio Fogueral
Fotos: Flávio Fogueral
Entrevista originalmente publicada na edição 79 do Jornal Mulher

A assessora da Secretaria Municipal de Segurança, Mara de Fátima Neves é uma das poucas mulheres que tiveram a oportunidade de ocupar uma cadeira no Legislativo botucatuense. Ao lado da médica dermatologista Maria Célia Canesin Anselmo, foram as primeiras vereadoras eleitas na história da política botucatuense. O mandato de ambas durou de 1983 a 1988, época em que o país passava pelo processo de redemocratização política. Além delas, apenas a professora Fátima Longo, entre os anos de 1997 a 2000, atuou de maneira direta nas discussões dos rumos da Câmara Municipal.
Natural de Botucatu, Mara cursou o ensino fundamental na escola Rafael de Moura Campos, sendo que o ensino médio foi cursado na Escola Estadual Cardoso de Almeida-EECA. Foi durante o chamado curso Normal, no mesmo estabelecimento de ensino que ela descobriu a carreira profissional que mais se adaptaria a sua personalidade: professora. Formou-se em Ciências pela antiga Instituição Toledo de Ensino, em Botucatu, e Matemática pela Unesp de Bauru. Começou a lecionar em Areiópolis e em 1977 ingressou na Escola Técnica Dr. Domingos Minicucci Filho, a Industrial. Além disso, deu aulas em diversas escolas no município. Em suas salas de aula passaram pessoas que figuram na política local como o vereador Lelo Pagani e o prefeito Mário Ielo, ambos do Partido dos Trabalhadores.
E a política surgiu muito cedo em sua vida, como conta. Desde os tempos em que fazia parte da diretoria do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo-Apeoesp, já militava. Foi uma das fundadoras do PT em Botucatu, há mais de duas décadas. Integrou o diretório municipal do partido, mas atualmente mantém-se apenas como filiada. Em seu círculo de amizades figuram nomes de peso como José Genoino, por exemplo. Disse que o PT passa por um momento de construção desde os escândalos envolvendo a compra de votos de deputados, o chamado ‘mensalão’, denunciado em 2005 pelo ex-deputado Roberto Jefferson e que derrubou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
Ela também é uma das figuras mais conhecidas do carnaval botucatuense. Foi uma das fundadoras da Escola de Samba Pirajá da Silva, tradicional agremiação da folia de momo no município.
Desde 2004 está aposentada da função de professora, mas mantém-se na ativa com a assessoria que presta à Secretaria de Segurança. Entre alguns dos trabalhos que o braço governamental realiza estão o apoio a projetos educacionais, de assistência à mulher e também ao Fórum Permanente da Mulher.
Corintiana fanática, Mara recebeu a reportagem do Jornal Mulher na última semana para uma rápida entrevista. No bate-papo, não faltou seu bom humor característico, nem mesmo quando perguntada da situação do seu time do coração. Diz que 2008 será um ano de recuperação e que os títulos não demorarão para voltarem ao Parque São Jorge. Abaixo seguem alguns trechos da entrevista:

Em 1983, você tornou-se ao lado de Maria Célia Canesin Anselmo, a primeira mulher eleita para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal. O que a levou a se interessar pela política e por que decidiu se candidatar à vereadora, na época?
Sempre fui muito interessada pela questão política, de uma forma em geral. Demonstrei-me, desde cedo, uma pessoa preocupada com o voto, participei de campanhas, antes mesmo de surgir o PT. Quando o partido surgiu, no início da década de 1980, acabei por me filiar. Nessa época também integrava a Apeoesp e já tinha uma experiência com a militância, como sindicalista. Havia um grupo de pessoas dentro do PT que me apoiavam e minha candidatura surgiu de uma maneira simples. Fiz uma campanha modesta, mas que ao mesmo tempo foi interessante, com um grupo de apoio muito bom. Fui a mais votada do partido, que só tinha uma vaga naquela época e me elegi vereadora por seis anos.

Inclusive, muitos botucatuenses consideram aquela legislatura como uma das mais atuantes.
Foi um trabalho muito ativo, pois em conjunto com a (Maria) Célia, o Éder (Trezza), (Bahige) Fadel, entre outros, pudemos atuar em muitas questões pertinentes à mulher e também de interesse da população, como o transporte coletivo. Aquela Câmara foi considerada como uma das melhores que Botucatu já teve pelo teor das discussões que ocorriam.

Desde que o mandato de Fátima Longo terminou no ano 2000, nenhuma outra mulher foi eleita vereadora em Botucatu. Por quê a mulher não consegue se eleger a um cargo tanto no Executivo quanto no Legislativo? Há um desinteresse da mulher pela política?
Pelo contrário, acredito que esse interesse cresceu. Historicamente, faz muito pouco tempo que a mulher pode votar. Isso aconteceu na década de 1930 no Brasil. Temos uma sociedade em que a política ainda é um assunto masculino e isso faz com que as pessoas se acostumem a ver um homem como um político. Esta é uma das dificuldades que a mulher enfrenta, como participar de um partido. Como ela pode se dedicar hoje, já que uma esmagadora maioria delas trabalha, tem filhos, dupla jornada. Depois, na eleição, por causa dessa conjuntura social, há um maior apoio ao homem. Já está no imaginário das pessoas que a política é para homens e isso é uma dificuldade real. Temos no Brasil um pequeno número de governadoras, prefeitas, deputadas, senadoras e vereadoras. Para Botucatu é terrível esta situação, em não ter uma mulher eleita. A Câmara Municipal é um lugar de representações e é importante haver todos os partidos, mulheres e homens. A vida de ambos, por causa dessa conjuntura social acaba sendo diferente. Há coisas que a mulher observa melhor que o homem e também o contrário. É importante que um lugar onde exista esse ritmo de discussão, criação de leis e rumos que a cidade vai ter tenha uma opinião feminina. Mas a participação da mulher na política aumentou nos últimos anos. Ela tem atuado mais nesse processo democrático e temos que dar uma destruída nessa imagem de que política é coisa de homem, pois é algo do ser humano.

Você também é uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, em Botucatu e sua imagem está ligada intimamente com o partido. Como foi seu trabalho na fundação do PT? Ainda há marcas da crise enfrentada em 2005, no escândalo do ‘mensalão’?
O Partido dos Trabalhadores vai completar em fevereiro 28 anos. Passamos por várias fases, nesse tempo, e tudo isso é uma construção. Houve momentos trágicos e complicados como esse que foi vivenciado em 2005, mas acredito que atualmente somos um novo partido. E essa construção o partido passou a ter novos alicerces, novas idéias. O PT vivenciou situações diferentes. No começo, em Botucatu, por exemplo, o partido tinha apenas uma vereadora. Anos mais tarde passou a ter a maior bancada na Câmara, esteve à frente de duas administrações municipais com o (Mário) Ielo e poderá ficar novamente no comando da Prefeitura. O partido também foi eleito para o governo federal e há um aprendizado com todas essas experiências. Claro que o ‘mensalão’ não está totalmente resolvido, tanto que há essa apuração. Não gosto de citar nomes, dizer que alguém está envolvido com isso. Há pessoas muito próximas a mim que sei que não fizeram nada de ruim com o dinheiro público e muito menos de chefiar quadrilhas como o José Genoino, que é meu amigo particular há 30 anos. Houve os primeiros depoimentos na semana passada e ainda há muito a ser apurado.

Atualmente, como é sua atuação dentro do PT?
Sou filiada ao partido, mas não faço parte do diretório municipal. Em grandes situações tenho participações; fui votar nas eleições internas do PT recentemente. Mas não tem como manter-me totalmente ativa dentro do partido com muitos compromissos, seja na Apeoesp, quando era professora na ativa. Hoje estou na Secretaria de Segurança onde desempenho a função de assessora. Mas ainda sou uma pessoa vista como sendo do PT, mas sem aquela participação diária por conta de minha vida cotidiana.

A poucos meses das eleições municipais, vê-se uma disputa grande dentro do PT para definir o candidato à sucessão de Mário Ielo. Alguns nomes como do vice-prefeito Waldemar Pinho, Selma Regina, Renato Caldas, Lelo Pagani e Luiz Rubio disputam a indicação para o pleito. Quem deve ser o escolhido, na sua opinião, e qual avaliação do atual governo?
Com relação a avaliar, faço parte da maioria da população que aprova sua administração. Foram dois mandatos interessantes em que muita coisa aconteceu na questão da saúde, educação, criação da Guarda Civil Municipal, a participação das pessoas, entre outros aspectos deram o tom do governo. Outro fator de destaque tem sido um olhar melhor para a mulher. Passamos a ter uma política, ainda que pequena, para esta questão e que contamos com o auxílio da CGM. Acredito que esta atuação possa se reverter nas urnas. Cada partido vai apresentar suas propostas eleitorais e cada pessoa irá votar com base nisso. No caso do PT haverá muito a apresentar. Acho normal que exista esta disputa, pois são cinco pessoas que a população conhece. O Luiz Rubio é vereador há quatro mandatos. A Selma fez parte do Orçamento Participativo no governo Ielo; o Renato já foi presidente do diretório municipal do partido e é coordenador do Procon, sendo que ambos também já foram candidatos a vereador e o Lelo Pagani está na Câmara Municipal. O Pinho é o atual vice-prefeito e um dos fundadores do PT no Brasil. São pessoas qualificadas para se habilitarem a disputar esta vaga de candidato do partido. Teremos a prévia em fevereiro para decidir esta questão. Acredito que o Pinho tenha todas as chances de ser o escolhido para concorrer à Pefeitura.

Atualmente você atua como assessora na Secretaria de Segurança. Quais os programas que a secretaria tem realizado para as mulheres?
A Secretaria de Segurança dá total apoio ao Fórum Permanente da Mulher. Essa idéia surgiu quando um grupo de mulheres que na campanha eleitoral de 2004 achou que se a (Maria do) Socorro fosse eleita vereadora, deveria transformar a Câmara Municipal em um fórum permanente para debates. Ela não se elegeu, mas conversamos na época com o Luiz Rubio, que era o presidente da Câmara, para transformá-la em um local para estas discussões. Este fórum consiste em reuniões mensais, que não é deliberativo, onde se abordam questões referentes aos interesses da mulher e é um provocador de ações. A partir dele surgiu um convênio da Prefeitura com o Centro de Integração da Mulher, que desde 2005, mulheres com problemas sérios com o companheiro e em risco de morte podem ser encaminhadas a uma casa-abrigo, em Sorocaba, para sua proteção. Neste local elas têm psicólogo, apoio jurídico e assistência social. Outra ação importante é questão do gênero, em se construir seres humanos. A Prefeitura contratou o Trupeça que realizou 50 apresentações teatrais nas escolas municipais e em bairros sobre este assunto, a importância dos homens e das mulheres e suas características. Também tivemos o curso de Promotoras Legais Populares que foi um aspecto considerado importante pelas mulheres e fez com que a Prefeitura, através das Secretarias de Segurança e Assistência Social em parceria com a OAB promova o curso a partir de março. Temos também os programas próprios da secretaria como o CompartilhAção, um trabalho que começou em 2006 e aconteceu na Conferência Municipal da Mulher onde os guardas municipais cuidavam das crianças nessas reuniões. Eles tiveram uma participação importante no brincar e levando valores importantes com leitura de livros, desenhos, oficinas de brinquedos entre outras atividades. Desde 2007 esse programa, que se chama ‘Brincando em Paz’, tem ido a diferentes pontos da cidade em eventos promovidos pela Secretaria de Esportes, como o Lazer Itinerante.

Antes de assumir a assessoria da Secretaria de Segurança, você aposentou-se como professora, em 2004. O que representaram todos estes anos nas salas de aula?
Tudo. Tive inúmeros alunos, até mesmo dei aula para o Ielo, o Lelo (Pagani), vários guardas municipais e nunca consegui sair da educação. Posso ter me desvinculado da matemática, que foi a área que me dediquei para lecionar, mas não do ensino. Todos estes trabalhos que a Secretaria apóia são de educar. Além disso, tive participação em todos os cursos de formação da Guarda Municipal. Muitas pessoas me perguntam se ainda sito falta de dar aula, mas acredito que ainda não tive tempo de parar e pensar nisso, pela quantidade de atividades que desenvolvo dentro da secretaria.

Uma das histórias que também marcam a sua vida, além da educação e militância política, é sua participação de forma ativa e de destaque no carnaval quando ajudou na criação de alguns blocos, como o do Centro Acadêmico Pirajá da Silva, dos estudantes da Faculdade de Ciências Agronômicas, da Unesp.
No final da década de 1970 era meu costume passar o carnaval em Ipaussu e em 1976 acabei por ficar em Botucatu. Naquela época, a festa era quase a mesma que a realizada hoje em dia, com os blocos. Estávamos no CAPS e era uma quinta-feira, quando algumas pessoas decidiram desfilar. Conversamos com o Agnelo Audi, que era o vice-prefeito na época, e pedimos para desfilar. Retratávamos coisas folclóricas como quando da declaração de guerra contra a Inglaterra, onde desfilei como a rainha. O último ano, que deve ter sido em 1984, quando ocorreu a campanha pelas Diretas, saímos com urnas, pedindo que houvesse as eleições diretas. O samba enredo falava assim: ‘tira o gordo de lá, não deixa o caolho entrar. O Pirajá quer votar...’. Nossa proposta era satirizar os fatos como por exemplo no caso do Lico (Luiz Aparecido da Silveira, prefeito de Botucatu nos anos de 1977 a 1983), quando do escândalo da Cecap. Mas a escola sempre teve pessoas ligadas à faculdade, militância. Depois cada vez menos estudantes passavam o carnaval aqui. Acredito que hoje o carnaval de Botucatu tem um pouco do Pirajá da Silva.

Para finalizar, como é a Mara por ela mesma?
Sou uma pessoa de bem com a vida e isso todos podem perceber. Quero que a vida seja melhor para todos e precisamos investir cada vez mais em educação, sendo que as pessoas precisam ter seus direitos garantidos. As mulheres precisam ser firmes com suas convicções e não podem, em hipótese alguma, aceitar discriminação. Acredito que juntos podemos ter um mundo melhor através de conversa, da livre discussão. Normalmente acordo bem humorada e isso faz a diferença no dia de uma pessoa.

Domingos Meira está confirmado na novela Ciranda de Pedra

Domingos Meira em Páginas da Vida

Por Renato Fernandes

O Blog de notícias O Grito traz em primeira mão a confirmação do ator botucatuense Domingos Alves Meira na próxima novela das 18 horas, da Rede Globo de Televisão “Ciranda de Pedra”.
O ator, que estreou na televisão na novela “Metamorphoses”, da Rede Record e que passou pelo SBT, na novela “Esmeralda”, já participou de outras produções da Globo, entre elas a minissérie JK e a novela Páginas da Vida.
Em Ciranda de Pedra ele interpretará o advogado Alberto, que passa a integrar a trama no segundo capítulo. “Esse é o meu primeiro papel de humor. Aguardei muito por esse momento. Já recebi os seis primeiros capítulos e estou adorando”, disse.
A novela é de autoria do também botucatuense Alcides Nogueira e deve estrear em março.
Atualmente Meira participa das gravações da minissérie “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral, onde interpreta um tecladista.

Clique aqui e confira outras matérias sobre o ator

Documentário sobre cururu será lançado em cavalgada


Trailer do documentário "Cantoria Caipira: Cururu do Médio Tietê", dirigido por Aléxis Góis e Cláudio Coração. O documentário trata do Cururu, repente paulista que se manifesta no triângulo entre as cidades de Botucatu, Sorocaba e Piracicaba.

Por Renato Fernandes
Fotos Aline Grego


A Mangaba produções lançará no dia 1º de março, no Bairro Santa Cruz da Serra, o docum
entário “Cantoria Caipira - Cururu do Médio Tietê”.
O lançamento ocorrerá às 18 horas, durante a realização da "3ª Cavalgada Saudades Fermino Pontes”. Logo após a exibição, às 19 horas, ocorrerá o desafio de cururu entre cantadores
de Cerquilho e Sorocaba: Horácio e Jonata Neto, contra Moacir Siqueira e Manezinho Moreira.
A animação da cavalgada, que é promovida por membros da família Pontes, ficará por conta de Zé Piranha e Dirley Bozoni. A programação começa às 8h30 com a cavalgada na Santa Cruz. Às 10 horas os cavaleiros passam em Anhumas e retornam para Santa Cruz da Serra. A
partir das 12 horas, começa o almoço e cantorias com violeiros da região.
O documentário desenvolvido por Aléxis Góis e Cláudio Coração, apresenta para o espectador o trabalho de cururueiros clássicos, como Pedro Chiquito, Jonata Neto, Horácio Neto, Zico Moreira, Pedro Chiqu
ito, dentre outros. “Os personagens desta narrativa nos levam a contemplações, conhecimentos e rememorações. Afinal, como canta no documentário o sorocabano Cido Garoto: ‘Prá cantá o Cururu tem que tê muita instrução’”, disse Cláudio Coração.
A base do trabalho são os cantadores do vale do Médio-Tietê, onde, de acordo com Coração, a cultura da terra é impregnada em encontros de viajantes à margem do rio, nos passos dos tropeiristas, na reza e nos cantos ancestrais ibéricos e indígenas. A partir deste cenário de simbologias, e reanimados por feijões, caldos e ervas, os chamados caipiras criavam e pr
aticavam o repente paulista. “São cinqüenta minutos divididos em quatro blocos, o primeiro é uma apresentação do universo histórico e dos principais cantadores; o segundo mostra a relação entre o cururu e a religiosidade, como a irmandade do Divino Espírito; no terceiro bloco perfilamos os personagens e mostramos as características do cururu de hoje e a relação entre o rural e o urbano; no último trecho apresentamos o trabalho de ícones do estilo, como Zico Moreira de Conchas e Pedro Chiquito”, comenta.
Além das entrevistas com os personagens e a análise entre as diferentes faces do cururu, o documentário também traz imagens raras de encontros e cantadores. “Conseguimos algum material com o jornalista Sérgio Santa Rosa (autor do livro Prosa de Cantador), mas, grande parte do material raro foi adquirido em encontros realizados nas cidades de Sorocaba e Piracicaba, onde costumam acontecer cantorias quase todas as semanas”, acrescenta.
A Cavalgada - A 3ª Cavalgada Saudade Firmino Ponte, presta homenagem ao festeiro que, durante sua vid
a, incentivou a cultura caipira, promovendo encontros, festas e desafios de cantadores em seu sítio em Santa Cruz da Serra. Em sua memória, amigos, cantadores e amantes da cultura caipira se reunirão na cavalgada que acontece no dia 1 de março.
Os documentaristas - O jornalista Aléxis Góis é diretor de Memórias do Coronelismo, documentário exibido na mostra competitiva da 34ª Jornada Internacional da Bahia - 2007, e produtor executivo de “A Alma Encantadora das Ruas - Lobo não come capim”.
Cláudio Coração é jornalista e pesquisador da Comunicação Midiática. Atualmente desenvolve a pesquisa de mestrado, junto à Unesp, com o projeto "Repórter-Cronista: Jornalismo e Literatura na Interface de João Antônio com Lima Barreto".
A cavalgada recebe o apoio da Prefeitura Municipal de Botucatu / Secretaria da Cultura; Polícia Militar e Cineclube Aldire Pereira Guedes.