janeiro 28, 2008

230 mil professores podem consultar classificação para atribuição de aulas

Do Governo do Estado

Os cerca de 230 mil professores da rede estadual de Educação podemconferir a partir desta segunda-feira, 28, a classificação para atribuição de aulas. Basta acessar o site www.educacao.sp.gov.br. De acordo com a posição em sua escola, o professor pode escolher quais aulas dará durante todo o ano.

Para acessar a lista, dividida por escola, é importante acessar, no site da Secretaria, o banner "Classificação docentes 2008". Com o número do RG é possível entrar no sistema.

No fim deste mês de janeiro e no início de fevereiro os professores passarão pela atribuição de aulas. A classificação é importante para definir a ordem de prioridade na escolha de classes e aulas. Na primeira fase de inscrição os professores apresentaram seus títulos e documentos comprovando tempo de serviço e habilitação/qualificação. Esses foram os requisitos levados em conta na classificação dos inscritos.

"É uma ação importante, especialmente para a organização da rede. São Paulo tem a maior rede de ensino do Brasil. É o início do ano para nossos educadores", afirma a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

Autor do homicidio de Itatinga está preso, anuncia DIG

Do site Entrelinhas

A Delegacia de Investigações Gerais de Botucatu – DIG, anunciou a prisão de Cristiano Rodrigues da Silva, apontado como autor do homicidio, na última segunda-feira, dia 21, contra Leandro Daniel dos Santos, em Itatinga. Leandro teve o pescoço e o pênis cortados, além de diversas perfurações no peito.
De acordo com o delegado Celso Olindo, a motivação do crime teria sido pelo envolvimento dos dois com entorpecentes e traficantes. Cristiano está com a prisão temporária autorizada pela justiça.
“Cristiano queria, ao que consta nas investigações até agora, receber sua parte em algum crime, que pode ser entorpecentes, dado o envolvimento de ambos com esse tipo crime”, disse.
De acordo com Olindo, o suspeito Cristiano Rodrigues recusou-se em seu depoimento, na Delegacia de Itatinga, onde foi ouvido pelo primeira vez, a apontar o nome dos traficantes que dividas.
A motivação do bárbaro crime também foi explicada segundo o delegado: “O Cristiano alegou que cortou o pescoço e o pênis de Leandro, o Chupeta, como é conhecido em Itatinga, para transmitir a mensagem aos seus inimigos, de que não tem homem para matá-lo”.
Cristiano Rodrigues da Silva é suspeito de ter feito ligação para a Policia, informando a existência de um corpo nas proximidades do cemitério. O telefone de onde partiu a ligação fica a cem metros do local do crime, em frente ao conjunto de residencias, onde o indiciado residia com a esposa.
“Os moradores das demais residencias tinham muito medo do Cristiano e não deram nenhuma informação, certamente temendo por represálias. Temos contra o Cristiano, roupas e um tenis que estava escondido em uma oficina de um parente, em um saco de lixo”, disse Celso Olindo.

Investigações
O delegado da DIG afirmou que as investigações continuarão, pois há grande chance de se esclarecer outro crime, praticado em Botucatu, em 2006 e até hoje sem esclarecimento.
"Acreditamos que pelo histórico de violencia de Cristiano, ele pode estar ligado a outro crime, praticado em Botucatu contra um itatinguense, o Thiago, que foi assassinado com golpes de faca. No caso da última segunda-feira e o de Thiago, encontramos um cinto ao lado dos corpos, o que pode sinalizar uma caracteristica do criminoso. Vamos investigar”, afirmou Celso Olindo.

Bloco Rabo de Galo desfilará com dois sambas enredos

Por Renato Fernandes

O bloco carnavalesco Rabo de Galo já está se preparando para os desfiles carnavalescos desse ano e promete agitar as passarelas do samba improvisadas nas ruas Amando de Barros e Major Matheus, com dois sambas enredos, o já tradicional “Aquarela do Brasil”, e “Portela na Avenida”.
Os organizadores dos foliões explicam que deverão revezar os dois enredos enquanto desfilam.
O Bloco Rabo de Galo já é tradicional no carnaval popular de Botucatu, por reunir integrantes que fazem parte do segmento artístico da cidade.
Em 2007, os foliões inovaram ao abrir uma ala para garantir a diversão dos pacientes residentes do Hospital Psiquiátrico Cantídio de Moura Campos.
Esse ano os pacientes voltam a desfilar com o bloco, tomando emprestado o tema da exposição ‘Sem Maquiagem Somos Iguais a Você”, assinada pela fotógrafa Malu Ornelas e Thomas Degen, com maquiagem de Maria Pia.

Artistas S/A monta Orquestra de Violões

Por Renato Fernandes

A escola de artes Artistas S/A está convocando violonistas interessados em fazer parte da Orquestra de violões da escola. “Abrimos as inscrições para todos os interessados em fazer parte desse grupo, sejam iniciantes ou não”, explica a responsável pela escola, Fabiana Godoy.
A regência ficará a cargo do professor Fábio Saliba (foto), que dará continuidade a um trabalho já desenvolvido na escola em 2006. “A intenção é propiciar ao aluno a experiência de tocar em grupo e desenvolver um repertório e suas qualidades musicais tais como a técnica, interpretação e leitura rítmic
a e melódica”, acrescenta Fabiana.
Todos os candidatos passarão por um curso que terá a duração de nove meses.
“Se começarmos os trabalhos entre março e abril acredito que até julho esse pessoal já possa desenvolver sua primeira apresentação”, disse.
Para atingir essa meta serão ministradas duas aulas semanais sendo, uma aula prática individual com duração de 60 minutos e uma aula teórica em grupo com duração de 60 minutos.
Além das aulas teóricas e práticas, o candidato participará de vários concertos.

Fabiana explica que a intenção não é desenvolver uma orquestra especializada em música sertaneja ou moda de viola.
“Vamos desenvolver um repertório variado, que vai do clássico ao popular. Um orquestra para concertos”, antecipa.
Para fazer parte do grupo é necessário agendar uma entrevista pelo telefone: (14) 3815.8293. Fábio Saliba é formado pelo “Conservatório Dramático e Musical Dr Carlos de Campos” de Tatuí, onde participou de diversos projetos com orquestra de violões entre eles, “Bi-Tons”, “Pop- Tons”, “Cine – Tons”, “Chico – Tons”, “Bi – Tons Trio” e “Orquestra de Violões” (Música Renascentista e Barroca).

Glorinha Dinucci: "Pra Começo de Conversa"

Por Flávio Fogueral
Fotos: Devanil Camargo/ A Gazeta de Botucatu
Entrevista publicada originalmente na edição 77 do Jornal Mulher


Maria da Glória Dinucci Venditto. Um nome in
timamente ligado à imprensa e a arte em Botucatu. Glorinha Dinucci, como ficou conhecida ao longo de 35 anos de colunismo social, é uma das mulheres com uma carreira profissional e de vida que se misturam à história e aos fatos marcantes do município. Filha de Eugênia Vitti Guimarães e Álvaro Guimarães, ela tem a inspiração no pai, a quem considera como um artista nato, sem nunca ter cursado alguma escola especializada. Foi seu pai, quem inclusive também teve momentos marcantes na história botucatuense. Foi mestre de Alvenaria na Escola Industrial e também um dos responsáveis por inúmeras obras no município. Algumas, no entanto, de enorme prestígio como sendo um dos colaboradores da construção da Catedral Metropolitana, sendo responsável pela parte artística da obra e também foi o escultor do brasão do Centenário do Município, criado então por Gastão Dal Farra. Para Glorinha, talvez tenha sido do pai a inspiração e os primeiros contatos com a arte, fator crucial pela escolha de sua carreira como educadora. Educar. Este é um de seus verbos favoritos. Estudou desde o primário no antigo Colégio dos Anjos (atual Santa Marcelina). Formou-se inicialmente como professora, mas a vontade de ensinar arte, a fez, anos mais tarde, graduar-se em Educação Artística. Em sua sala de aula passaram pessoas de destaque na sociedade botucatuense, além de dois prefeitos (Antônio Mário Ielo e Pedro Losi Neto, que ocupou a cadeira do Executivo de 1996 a 2000), além do piloto da escuderia Ferrari de Fórmula 1, Felipe Massa. Atuou no Colégio La Salle durante 33 anos, onde parou de exercer a profissão de educadora somente em 2003, devido a problemas de saúde. Uma das passagens que marcam a sua trajetória e a dedicação para o ensino era quando levava os instrumentos musicais para poder ensinar no colégio, que na época ainda não possuía a estrutura necessária, como lembra. Declara que por causa dessa convivência com diferentes gerações, pode ver a mudança pela qual o mundo passou de maneira mais ativa. Nas artes é uma das responsáveis pelo início da carreira do dramaturgo botucatuense Alcides Nogueira, que a chama de 'madrinha'. Financiou a montagem da primeira peça teatral do autor, "O Caldeirão", e encenada no Cine Teatro Nelli. Na época, o espetáculo teve grande repercussão pelo texto e pela atuação de seus protagonistas. A partir deste momento, a trajetória artística de Nogueira teve início. Conversar com Glorinha Dinucci é como ter uma aula sobre a vida. Como ela mesma gosta de enfatizar, tudo aconteceu de forma natural e muitas vezes, inesperada. Inclusive seu contato com a notícia. Seu contato com a imprensa teve início em 1962 quando assinava uma coluna para o jornal "A Gazeta de Botucatu" chamada "Cine Gazeta", onde ia ao extinto Cine Casino e assistia, de forma antecipada, aos filmes que entrariam em cartaz e fazia críticas dos filmes, sob a assinatura de M. Glória. Segundo ela, foi uma experiência que permitiu conhecer um mundo o qual jamais deixaria de atuar. Dez anos depois estreava como colunista social, a convite de seu primo Milton Mariano (então diretor de 'A Gazeta de Botucatu'), ao fazer a cobertura dos antigos bailes de debutantes realizados no Botucatu Tênis Clube. Era o início de "A Gazeta na Sociedade", que de forma ininterrupta, nos últimos 35 anos, figura nas páginas de "A Gazeta", onde seu marido Adolpho Dinucci é o atual diretor. Uma das seções mais marcantes foi "Pra Começo de Conversa", onde ela, através de suas crônicas, faz uma reflexão sobre fatos e pessoas que mexem com a sociedade botucatuense, além de acontecimentos no mundo. Além de sua presença em "A Gazeta", Glorinha Dinucci também colaborou em algumas revistas locais e recebeu convites para publicar sua coluna social em alguns jornais. Segundo ela, todas as propostas estão em aberto e 'são carinhosamente estudadas'. Em 2006, foi eleita a personalidade do ano pela Revista QG e também foi vencedora como colunista social de prêmios promovidos pela ACE/CDL. Chegou a cogitar em deixar a imprensa, mas como ela mesma declarou em sua biografia no livro "Pra Começo de Conversa", lançado em 2001, 'a imprensa tem um imã poderoso. Fácil é começar a atividade. Difícil é deixá-la'. A publicação, que tem um total de 60 crônicas publicadas em sua coluna, inclusive, foi um presente de sua família, na ocasião das comemorações dos 44 anos de 'A Gazeta de Botucatu'. Por este trabalho na imprensa, na educação, e como incentivadora da cultura, Glorinha Dinucci passou a integrar a Academia Botucatuense de Letras. Empossada em junho de 2004, ocupa a cadeira de número 21, tendo o poeta santista Vicente de Carvalho como seu patrono. A eleição para a ABL, inclusive, é um dos momentos marcantes de sua vida. Religiosa e católica, ela se diz uma mulher realizada em todos os aspectos e este é o teor de suas orações diárias, o de agradecimento. Valoriza a família e tem nela a base da força e de inspiração para seu trabalho. Casada com Adolpho Dinucci Venditto é mãe de Carmem Teresa e avó de Camilla. A atuação social também é uma das marcas do trabalho da colunista. Por mais de duas décadas foi presidente da Associação de Assistência à Maternidade e Infância-AAMI. Credita ao trabalho realizado pela entidade como um dos pontos fortes no assistencialismo e na formação de pessoas carentes. Durante quase uma hora de conversa informal e agradável ao Jornal Mulher, Glorinha diz considerar-se uma pessoa de personalidade forte e perfeccionista. Assume que esta é sua primeira entrevista a um jornal impresso. Enfatiza categoricamente que não existe concorrência entre os profissionais da imprensa que se dedicam à cobertura de eventos sociais. Além disso, conta que um dos segredos de manter uma coluna social por tantos anos seja o respeito com os leitores e transformar cada linha de sua coluna, um meio de oferecer à comunidade mais um canal de interatividade. Abaixo, segue alguns trechos da entrevista de Glorinha Dinucci:

Com 35 anos de carreira, você é considerada a pioneira no colunismo social em Botucatu. No entanto, seu primeiro contato com a imprensa foi de uma forma totalmente diferente.
No jornalismo, lancei minha primeira coluna no jornal "A Gazeta de Botucatu", em uma edição de 1962 e ela tratava basicamente sobre comentários de filmes. O espaço se chamava "Cine Gazeta" e eu assinava como M. Glória. Hoje sei que foi uma ousadia fazer crítica de
cinema sem ter um preparo necessário, o que não tinha na época. Mas, meu trabalho foi reconhecido. Era uma coluna muito lida e muitas pessoas se guiavam através dela para irem ao cinema. Através da Lourdinha Pedutti, assistia aos principais filmes que seriam exibidos durante o mês. Era desta forma que fazia minha coluna.

O que a levou a se tornar colunista social?
Nunca pen
sei em ser colunista social. A Gazeta de Botucatu, em 1958, organizou um curso de jornalismo, reconhecido pela Universidade do Sagrado Coração, de Bauru, e que nos proporcionava o diploma e foi orientado pelo padre José Marins, que é irmão do grande escritor Francisco Marins. Um grupo de Botucatu fez este curso e eu me incluía nele. Guardei o diploma e continuei a minha vida. Na década de 1970, o Botucatu Tênis Clube organizava na época um grande baile de debutantes. O então presidente do clube, João Passos, pediu para que "A Gazeta" fizesse uma cobertura sobre este baile. Foi neste momento que fui indicada pelo diretor do jornal na época que me pediu para fazer a coluna social. Aceitei esse novo desafio e foi ele o passo inicial para toda a minha escalada no colunismo social. Isso era na época em que jornal era composto a manualmente tipo por tipo. Publicar fotos era um trabalho intenso. Essas imagens eram feitas através de clichês, confeccionados pelo gráfico Antônio Gamito, considerado o maior gráfico que esta cidade já teve e que trabalhou conosco por 43 anos, até sua morte. Era uma verdadeira epopéia. Em 1986 fizemos nossa primeira edição em off-set. Lembro-me que na abertura desta publicação escrevi que 'a imprensa tem um imã poderoso. Fácil é começar a atividade jornalística, difícil é deixá-la'.

Em determ
inado momento, você cogitou em deixar a imprensa e continuar com outras atividades, como a de educadora. Quais os motivos que a fizeram pensar em interromper seu trabalho no colunismo social e por que resolveu continuar?
Pensei realmente em deixar a imprensa. Isso foi quando acumulei aulas no Santa Marcelina e no Colégio La Salle, e o tempo me ficou escasso. Como virginiana que sou, em tudo que faço exijo muito de mim, pois sou uma pessoa perfeccionista. Mas continue com minha coluna e houve essa modernização na imprensa, o que facilitou o trabalho e isso foi um ponto positivo a continuar. No momento não penso em parar. Uma palavra que não existe em minha vida é 'nunca mais', que é um tempo longo demais para mim. Talvez pare algum dia, mas no momento estou feliz com o que faço e continuo dando minhas mancadas, mas que fazem parte de qualquer trabalho.

E quais seriam as 'mancadas' que poderiam ser lembradas até mesmo como boas recordações?
De vez e
m quando dou umas 'sumidas' do jornal. Talvez pelo fato do diretor do jornal ser meu marido, não há o perigo de perder meu emprego (risos). Mas esse não é realmente o motivo para deixar de publicar algumas vezes minha coluna. Isso acontece por motivo de viagens, para dar maior atenção a minha família ou coisas assim. Não que o jornal seja colocado em segundo plano, mas prefiro não publicar a coluna do que fazer algo mal feito. Também há casos em que algumas legendas saíram erradas, fotos trocadas. Mas tudo pode ser contornado com uma boa explicação e sem prejuízos maiores.

Em 2001, nas comemorações dos 44 anos de "A Gazeta de Botucatu", foi lançado o livro "Pra Começo de Conversa", que trouxe 60 crônicas suas publicadas ao longo dos anos. Há algum projeto em vista, nos mesmos moldes do livro?

Com relação a projetos em relação ao jornal, não cabe a mim ter esta iniciativa, sou
uma mera colaboradora. Mas como foi um jornal que vi nascer através do meu primo Milton Marianno, mesmo que ainda não fizesse parte dele, acompanho toda a sua história e me envolvi com ela. Meu sonho seja que 'A Gazeta' mudasse um pouco o formato e que ela passasse a ter algumas de suas páginas a cores. Sempre tenho muitos planos na cabeça e um sonho em relação a tudo. Também penso fazer uma nova edição do "Pra Começo de Conversa", com alguns textos inéditos. A primeira edição foi um fato muito importante na minha vida, pois foi um presente dado por minha família e com o apoio de toda a equipe do jornal.

Seu estilo de abordagem em sua coluna social é considerado único e serviu de inspiração para muitos jornais e colunistas. No entanto, há quem diga que exista uma concorrência entre os jornalistas responsáveis pela cobertura social. Há mesmo essa 'rivalidade'?

Não sinto que exista este clima de rivalidade. Tenho amizade com quase todos os colu
nistas sociais da cidade: a Enza (da coluna Apparenza), a Adelina Guimarães (Impressões), que por sinal é minha prima em segundo grau, o (Rodrigo) Amat Scalla, com todos da Revista QG e dos jornais de Botucatu. Não é um privilégio somente meu ter esta boa relação, mas sim da "Gazeta", que tem essa característica de ter uma boa relação com a imprensa local. Com os colunistas chego a dizer que trocamos 'figurinhas', quando falta uma foto, um cede e vice-versa. Não há essa rivalidade. Pelo menos não a tenho com ninguém e acredito que aconteça isso. Cada um tem seu estilo. Muitas vezes nos encontramos em um determinado evento, mas são diferentes olhares para o mesmo fato. Toda esta diferenciação é o que dá graça ao colunismo social em Botucatu.

Atualmente, grandes meios de comunicação buscam criar novas celebridades, e há um certo exagero nas coberturas de eventos sociais. Como a senhora avalia o trabalho do colunista social nos dias atuais?

Nesta área há que se ter muito cuidado e procuro ter muita atenção quando faço minha coluna social. Procuro abordar também a parte cultural e o merecimento que cada pesso
a tenha. Hoje sinto que grandes revistas em nível nacional, são um conjunto de futilidades que valoriza o aspecto físico, monetário, o jeito de se vestir e não vê bem o valor intrínseco de cada pessoa. Procuro citar os fatos sociais, os eventos, mas quando coloco, em minha coluna, a palavra 'destaque', é porque aquela pessoa merece estar ali. Procuro ver nas pessoas a participação que têm na na vida social, sua atuação comunitária e o que representa para a cidade.

Além do trabalho com a imprensa, você também é educadora. Conte-nos um pouco desta sua atuação na formação educacional na sociedade botucatuense.

O que sou realmente na vida é educadora. Trabalhei 33 anos no Colégio La Salle, onde pude educar várias gerações. Pude ver através dos alunos com os quais convivi as mudanças que o mundo passou. Com isso, tive que me educar junto, pois tinha duas opções: ou falava a mesma linguagem deles e me fazia entender ou não conseguiria atingir-lhes a atenção e transmitir-lhes minha mensagem. Pude ver as diversas faces que o ensino também passou. Não enc
aro o fato de ser professora como uma profissão, mas sim como uma missão, pois é na educação que reside a grande força de mudança do mundo. Tudo parte através dela e a tarefa do educador é vital na construção de uma sociedade participativa. Para mim, ser professora não é somente transmitir uma mensagem, mas sim ensinar o jovem, o adolescente a ser um cidadão do mundo. Há tarefa mais linda do que esta? Mas ao mesmo tempo sinto um pesar muito grande, pois o professor hoje em dia é desvalorizado, mal pago e lamento os rumos que a educação tomou no Brasil.

Você disse que também viu o La Salle crescer nestes 33 anos em que lecionou. Mas no começo de sua carreira como educadora, houve momentos de dificuldades em que precisou até mesmo levar instrumentos musicais de sua casa para poder dar aula...

Antes de entrar no La Salle, dava aulas de piano no Santa Marcelina. Certa vez o diretor do colégio, irmão Felipe, me convidou para ensaiar uma festa de final de ano pois a pro
fessora titular de Educação Musical estava de licença maternidade. Fiz esta festa, na ocasião em um salão do Círculo Operário Cristão, pois o La Salle não possuía salão de festa na época. Isso foi em 1969. Já em fevereiro de 1970, o mesmo irmão me convidou para assumir definitivamente a cadeira de Educação Musical no Colégio. Fiquei durante 33 anos e pude trabalhar junto com os melhores professores de Botucatu, com muitos dos quais sou ligada até hoje por fortes laços de amizade. Durante os meus longos anos no Colégio La Salle a escola cresceu, adquiriu uma estrutura espetacular e eu sinto que cresci com ela e longe ficou o tempo em que levei o meu piano para poder dar aula.

Seu envolvimento com a cultura não se limitou somente ao ensino da arte em Botucatu. Seu nome está associado de forma direta com o início da carreira do dramaturgo Alcides Nogueira, que a chama de 'madrinha'. Como teve início esta relação e de que forma contribuiu para que isso acontecesse?

Conheci o Alcides no Santa Marcelina, quando dava aulas de piano. Certo dia ele, então com 17 anos, veio em minha casa e me pediu para que eu patrocinasse sua primeira peça de teatro, pois os pais não acreditavam naquele momento em sua vocação de dramaturgo. Mas
ele acreditava. Compreendi seu sonho e apostei nele. O (Adolpho) Dinucci e eu patrocinamos sua peça, chamada 'O Caldeirão'. A primeira apresentação aconteceu em uma noite de gala no Cine Nelli, com traje a rigor,um momento marcante. Logo em seguida o Alcides se mudou para São Paulo, para o exterior, andou por caminhos diversos e se tornou um grande dramaturgo. Até hoje ele me chama de "madrinha" e temos um relacionamento muito carinhoso.

Você disse que a família é a base de tudo e que é o alicerce para todos os seus trabalhos...
Sim, a família é a coisa mais importante da vida. Descendo por parte de pai de portugueses e de mãe, de italianos. Meus pais foram Álvaro Guimarães e Eugênia Vitti Guimarães, era uma pessoa simples e bondosa, dedicada ao lar e à família. Meu pai foi uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Ele foi Mestre de Alvenaria na Escola Industrial. Levado pelo pai e pelo irmão mais velho dedicou-se ao ramo da construção e muitas casas existentes
na cidade foram construídas por meu pai. Mas, uma das coisas que mais me causaram admiração nele foi o fato de, não sendo engenheiro, ter desenhado dezenas de plantas que orientaram os primeiros passos de jovens construtores. Ele foi um auto - didata também como pintor e suas telas surpreendem pela habilidade própria dos artistas que meu pai tinha. Também foi um dos responsáveis pela obra de conclusão da Catedral Metropolitana e autor do brasão, em cimento, do centenário do município que está afixado na igreja, criado por Gastão Dal Farra e imortalizado em cimento pelas mãos de meu pai. Ele também se orgulhava de ser um dos construtores que colocaram o Cristo, de braços abertos nos altos da Catedral. Sou filha única, nascida em Botucatu. Tenho uma filha única, a Carmem Teresa e uma neta, a Camilla, que são pessoas bonitas por fora e por dentro. E elas são os meus tesouros. Temos uma vida familiar muito unida e enfrentamos juntos os bons e maus momentos.

Com 35 anos no jornalismo e também em sua atuação na área educacional, cultural e no assistencialismo, quais foram os momentos mais marcantes em todos estes anos?
Um deles foi o lançamento do livro 'Pra Começo de Conversa'. O outro foi quando ingressei na Academia Botucatuense de Letras, em junho de 2004. Tive neste momento a honra e a oportunidade de conviver com figuras marcantes da cultura botucatuense e isso acrescenta muito à vida cultural de qualquer pessoa ao conviver com Francisco Marins, Hernâni Donato, só para citar dois Patronos vivos da ABL.


Por que Botucatu é tão diferenciada e é considerada como um celeiro de talentos?
Talvez pelas pessoas que por aqui passaram. Temos figuras ilustres espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, que são nascidas e viveram em Botucatu. Também devemos boa parte deste destaque, na área cultural, por exemplo, ao incentivo que muitos prefeitos deram, à qualidade das escolas aqui estabelecidas, como a antiga Escola Normal, o La Salle, o Santa
Marcelina e tantas outras. Outro fator que contribuiu para este destaque são os grupos como a própria Academia Botucatuense de Letras, a Associação dos Poetas e Escritores de Botucatu, a Artistas SA, núcleos de teatro, entre muitos.

Por mais de 20 anos esteve como presidente da AAMI. O que representou este trabalho na formação de jovens carentes em Botucatu?

Ainda me lembro com carinho das crianças que cresceram em minha volta e hoje ocupam cargos no comércio, na indústria, se transformaram em profissionais e cidadãos. Sinto-me recompensada por esta obra social, pois sei que esta instituição fez com que crianças escapassem da marginalidade, da exclusão e até mesmo de misérias maiores. Tenho que citar neste trabalho de assistência social um grupo de voluntárias que sempre me apoiou nesta missão.


Para encerrar, a senhora também é integrante do Lions Clube de Botucatu. Como surgiu este convite para integrar o clube?

Entramos em um clube de serviço somente a convite dele próprio. O casal que nos convidou foi Lincoln Vaz e a esposa Neyse. Até hoje fazemos parte do Lions Clube que nos proporciona a oportunidade de "servir" à comunidade e fazer novas amizades.