janeiro 18, 2008

Marlene Bonome: o pioneirismo do turismo

Texto e Fotos: Flávio Fogueral
Entrevista originalmente publicada na edição 76 do Jornal Mulher


Marelene Bonome Pereira é considerada uma das pioneiras do turismo em Botucatu. Ao lado de seu marido, Fernando Pereira, são proprietários da Botucatur Turismo, a agência de viagens mais antiga do município, com mais de 25 anos de existência.
Sua história está intimamente ligada com a cidade. Natural de Botucatu, Marlene fez seus estudos na atual Escola Estadual Cardoso de Almeida e formou-se bachare
l em biologia pela antiga FCMBB (hoje Unesp). Trabalhou na área de saúde pública até 1985, quando decidiu se dedicar ao turismo. Sua agência surgiu inicialmente como um escritório de representação da antiga Varig. Com o sucesso do negócio, optaram por oferecer pacotes de viagens. Uma das características de seu trabalho ao lado do marido é a criação de roteiros onde levam o turista a desbravar o mundo sertanejo, com visitas à Cuesta de Botucatu e também a locais considerados históricos. Além desta atuação com o turismo, Marlene também se aventura como escritora. Recentemente venceu o concurso de crônicas Elda Moscogliato, além da participação em coletânea literária da Associação dos Poetas e Escritores de Botucatu-APEB. Escrever, inclusive, ela revela ser uma paixão que carrega desde a adolescência. Em entrevista ao Jornal Mulher, Marlene conta um pouco de sua trajetória, além do trabalho desenvolvido com o turismo. Ela defende uma participação maior e mais abrangente da iniciativa privada nos rumos do turismo, não só em Botucatu, mas em toda a região. Sobre os desafios que o setor enfrenta, o principal seria a readequação do setor aéreo, que limita destinos e tem feito turistas desistirem de roteiros no Brasil. Para ela, o município tem sentido pouco o efeito da valorização constante do Real e que continuará atraindo mais visitantes por causa de seus atrativos naturais e históricos.

Você é natural de Botucatu e formada em biologia. De que forma se envolveu com o turismo?
Sou natural de Botucatu e estudei na antiga escola EECA e fiz o curso de bacharelado na antiga FCMBB (atual Unesp). Especializei-me na área de saúde pública e trabalhei por anos nesta área, mas infelizmente não deu certo. Como já atuava com o turismo, fomos convidados para sermos representantes da Varig no município. Paralelamente prestei alguns concursos na minha área, mas me entrosei muito bem na área do turismo. Formamos uma clientela e até hoje continuam conosco. Neste segmento estou desde 1985.

Pode-se afirmar que seu marido, Fernando Pereira e você, foram os pioneiros do turismo, em Botucatu. Quais foram os avanços no setor do turismo neste período no município? No turismo em geral, no emissivo (quando se vendem pacotes para outros destinos), houve um crescimento grande neste trabalho, os botucatuenses passaram a viajar mais e a procurar mais as agências de turismo. Criamos também roteiros nacionais e regionais e nos voltamos a todos os públicos. Hoje em Botucatu existem em torno de 15 agências de viagens e isso mostra como o turismo cresceu no município.

E qual seria a maior deficiência que o setor do turismo enfrenta no município?

Acredito que seja a falta de informações a respeito dos atrativos
naturais e turísticos da cidade. As pessoas vêem muito a televisão e isso poderia ser usado para promover o turismo. Aos poucos, as pessoas têm procurado com mais freqüência as agências de viagem. Tem o problema, em especial, do caos aéreo, que o brasileiro ainda não entende muito bem. Há o fator internet, que atrapalha um pouco a prestação de serviço dos agentes de viagem. É importante que se procure uma agência, pois nela se tem a segurança, como reclamar dos direitos, ainda mais se o estabelecimento for credenciado pela Embratur, coisa que na internet, o consumidor não sabe para quem reclamar. Hoje há mais pessoas que viajam e a estrutura de recepção delas é imprescindível.

Qual é o perfil do atual turista que procura os roteiros pelo interior paulista, em especial Botucatu?

É variado. Além das pessoas que vêm do exterior por causa de congressos, eventos e a passeios, e esse fator colocou Botucatu em um patamar diferenciado de outras cidades. Os turistas são de todas as idades e geralmente são pessoas de classe média alta, que é um público que procura mais o interior, as belezas naturais. Hoje está um caos ir à praia, por exemplo, e o interior traz uma maior tranqüilidade e estando com o turismo organizado atrai cada vez mais o turismo para a região.


Uma característica sua é que você auxiliou na criação de roteiros 'caipira' pela região, com passeios pela Cuesta e por locais históricos. Há um interesse maior por esse tipo de turismo?

Tem aumentado gradativamente
nos últimos anos. Mas acho que ainda é necessário colocar Botucatu na mídia nacional e falo em nível de Poder Público. Brotas, por exemplo, foi mostrada à exaustão e hoje está entre os melhores roteiros de turismo. E todo este trabalho começou depois que o turismo começou em Botucatu. Falta muita política de marketing e também reestruturar a parte hoteleira, de recepção do turista ao arrumar as praças, ter banheiros compatíveis, entre outros pontos. Outro fator é o lixo espalhado pela cidade; o que faz o turista se afugentar. São políticas que deveriam ser feitas com mais rigor. E um ponto crucial é a estruturação dos pontos turísticos. Há muitos locais que ainda deixam a desejar e esperamos que as próximas administrações municipais sejam voltadas para o aspecto do turismo na cidade, pois isto traz uma geração de emprego e renda enorme. E com isso é possível ter um turismo sustentável.

O Pólo Cuesta foi criado para fazer o trabalho de divulgação do turismo e da região em nível nacional. Como você avalia o trabalho realizado pela entidade?

Faço parte do Pólo Cuesta e desde o início a intenção do pólo era justamente agregar os 10 municípios e ter mais forças perante o governo ao solicitar verbas para desenvolver projetos turísticos. Acredito que eles têm feito um bom trabalho, mas está fechado, pois só a participação em feiras de turismo não atrai turistas. Se houvesse
uma participação maior da iniciativa o Pólo Cuesta, em geral, teria um desenvolvimento muito grande. Se empresários de vários setores como restaurantes, bares, hotéis, entre outros acreditarem mais e investirem no turismo, a cidade só tem a ganhar.

Como transformar Botucatu em um pólo turístico atrativo?

Os pontos turísticos já existem e falta uma estrutura para seu acesso, viável ao público. Também há a necessidade e a preocupação dos profissionais do setor serem mais qualificados. Deveria existir um selo de qualidade pois não há uma lei para reprimir abusos e má prestação do serviço. Por exemplo, se vem um turista e o guia não está preparado, o visitante nunca mais pode voltar; mas enquanto tiver pessoas de qualidade para receberem este turista, com certeza o sucesso será maior. Falta muita coisa ainda dentro de Botucatu para que a cidade se torne um pólo atrativo.


Com a recente valorização do real perante o dólar, muitos brasileiros têm preferido destinos internacionais em suas viagens. A longo prazo, o setor pode enfrentar uma crise?

O turismo nacional existe o ano todo. As pessoas não param de comprar passagens, pacotes para os mais diversos pontos do país. O que mais prejudicou o turismo foi o problema das companhias aéreas, com a queda da Varig, TransBrasil e Vasp, o brasileiro ficou sem muitas opç
ões de viagem em aviões. Mas a oferta de destinos, de pacotes e a facilidade de pagamento têm feito com que o brasileiro também opte por viajar para o exterior, principalmente na América do Sul. O preço para se viajar para a Argentina, por exemplo, custa quase a mesma coisa do que um pacote para o Nordeste. Na região de Botucatu temos recebido os estrangeiros, que muitas vezes vêm a negócios, por causa de congressos científicos e aproveitam para passear e essa desvalorização do dólar não afetou de forma direta o turismo aqui. Ainda é atrativo viajar pelo Brasil.

Além de seu
empenho com o turismo, você tem mostrado uma faceta até então desconhecida: a de escritora. Conte-nos um pouco deste trabalho paralelo.
Escrevo desde minha adolescência. Gosto de exteriorizar o que sinto no momento e faço isso em forma de poesia. M
as já escrevi contos e faço isso frequentemente. Na realidade tenho um grande incentivador, que é o Fernando (marido de Marlene Bonome, proprietário da Botucatur Turismo), que sabe que escrevo e gosta de meus textos. Ele me inscreveu em um concurso de crônicas organizado pela prefeitura em parceria com a Academia Botucatuense de Letras e obtive a primeira colocação. Mas já participei de outros concursos literários.

Bill Gates à procura de emprego

Por Flávio Fogueral

Bill Gates vai se aposentar. Pelo menos foi esta a garantia dada pelo próprio dono da Microsoft e o segundo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, atrás apenas do mexicano Carlos Slim.
O anúncio de sua aposentadoria foi dada por Gates no último dia 6, durante uma convenção da própria Microsoft. O magnata disse que vai se afastar da empresa no meio do ano para se dedicar exclusivamente a filantropia ao lado de sua esposa, Melinda.
No entanto, o todo-poderoso do mundo da informática já vinha se afastando, de maneira gradativa, do comando da maior e mais polêmica companhia de software de todo o planeta. Nos últimos anos renunciou a alguns cargos e era apenas presidente do conselho da Microsoft.
No vídeo abaixo, exibido em sua palestra, Gates satiriza sua própria aposentadoria, ao mostrar um dia normal de trabalho para ele. Após, sai à procura de um novo emprego e experimenta novas opções para sua vida. Tenta ser músico do U2 e recebe um 'não' de Bono. Também tenta, sem sucesso, trabalhar para políticos como Hillary Clinton e Barack Obama, ambos pré-candidatos à presidência dos Estados Unidos pelo partido Democrata.



video

Revista Peabiru volta a circular após 9 anos

Por Flávio Fogueral
Foto: Flávio Fogueral e Divulgação Diagrama

A Revista cultural Peabiru deve voltar a circular após 9 anos sem figurar entre as publicações botucatuenses. Deve ser lançada no final deste mês a 22ª edição da revista, com periodicidade bimestral. A publicação será vendida na Livraria Alexandria no final do mês. De acordo com seu editor, o advogado Armando M. Delmanto, a proposta é resgatar e oferecer ao leitor, principalmente ao botucatuense, informações e materiais, muitos inéditos, sobre fatos que marcaram a cidade. “Este é um reinício da publicação, que era lançada a cada dois meses e parou em 1999. É uma revista voltada à cultura e divulgação da história e fatos relevantes de Botucatu”, explica Delmanto, que salienta que este número pode ser considerada como a retomada da publicação. Após 1999, apenas mais três edições foram publicadas no ano 2000, em 2002 e 2005, todas com caráter e conteúdo especiais. Neste número, a abordagem principal será com relação à tentativa de transferência da capital do Estado para o interior e a luta de Botucatu para ser a cidade escolhida. O artigo é assinado pelo próprio Armando Delmanto. A ilustração de capa traz um trabalho de Vinício Aloise sobre a possibilidade de mudança da sede do governo estadual. Além disso, a publicação trará bastidores e curiosidades do processo de redemocratização no país, em especial nas eleições para governador e prefeito ocorridas em 1982, quando Antônio Jamil Cury e Milton Monti se elegeram chefes do Executivo em Botucatu e São Manuel, respectivamente. Também figuram nas páginas do “Peabiru”, compliações de artigos publicados pela ex-acadêmica Elda Moscogliato, professor Álvaro José de Souza e do escritor Cláudio de Almeida Martins. Esta nova edição da Revista Peabiru terá os trabalhos de editoração e impressão a cargo da Diagrama Gráfica e Comunicação. A tiragem será de mil exemplares. A revista custará R$ 5 e poderá ser encontrada com exclusividade na Livraria Alexandria, localizada na Avenida Santana.

Trecho da Marechal Rondon é eleita como a 10ª melhor rodovia do país

Por Flávio Fogueral
Foto Flávio Fogueral

O trecho compreendido entre Botucatu e Castilho, na divisa com o Estado de Mato Grosso do Sul, foi eleito a 10ª melhor rodovia do país, segundo o Guia Rodoviário 2007, da revista Guia Quatro Rodas.

A publicação é um dos maiores guias rodoviários do país e percorre anualmente cerca de 250 mil quilômetros da malha rodoviária. Para a elaboração do ranking são avaliados itens como qualidade do pavimento, sinalização, serviço de atendimento aos usuários e o serviço de infra-estrutura oferecido às margens das rodovias.

De acordo com a publicação, a malha paulista concentra quase que a totalidade de rodovias aprovadas: um total de 8. A primeira colocação é da Rodovia dos Bandeirantes, no trecho entre São Paulo e Cordeirópolis.

A Marechal Rondon, em Botucatu, apresenta duas características singulares. A primeira delas é o início do trecho duplicado, no interior, da rodovia. A qualidade do asfalto ainda encontra-se em boas condições. Somente há a cobrança de pedágio, na região, no quilômetro 285, em Areiópolis (R$ 7 por eixo, no sentido capital/interior). Outra característica é a periculosidade do trecho da cuesta, onde são comuns acidentes com vítimas fatais. Por causa desta situação, o Departamento de Estradas de Rodagem proibiu a circulação de caminhões acima de três eixos no local. Mesmo assim, os acidentes continuam.

Privatização- Na última segunda-feira, o governador José Serra (PSDB) anunciou a concessão de 1.500 quilômetros da malha rodoviária paulista para a iniciativa privada. As concessionárias deverão investir R$ 9 bilhões nas rodovias Dom Pedro I, Ayrton Senna/Carvalho Pinto, Marechal Rondon e Raposo Tavares. Devem realizar também a manutenção de estradas vicinais interligadas a esses corredores viários. (Com informações do Governo do Estado)

Confira abaixo o ranking de rodovias*:

1. Bandeirantes (SP-348) São Paulo a Cordeirópolis – SP

2. Imigrantes (SP-150) São Paulo a São Vicente – SP

3. Castello Branco (SP-280) São Paulo a Espírito Santo do Turvo – SP

4. Anhangüera (SP-330) São Paulo (SP) à divisa SP/MG

5. Washington Luís (SP-310) Limeira a São José do Rio Preto – SP

6. Ayrton Senna/Carvalho Pinto (SP-070) São Paulo a Taubaté – SP

7. Freeway (BR-290) Porto Alegre a Osório – RS

8. Washington Luís (BR-040) Rio de Janeiro (RJ) a Juiz de Fora (MG)

9. Santos Dumont (SP-065) Sorocaba a Campinas – SP

10. Mal. Cândido Rondon (SP-300) Botucatu (SP) à divisa SP/MS

*Fonte: Guia Quatro Rodas