janeiro 12, 2008

Alcides Nogueira: ‘Classificação etária é tão dura quanto a censura’

Por: Renato Fernandes / Carlos Pessoa
Foto - Flávio Fogueral

O escritor botucatuense Alcides Nogueira esteve na cidade no dia 3 de dezembro para a v
enda de uma residência pertencente a sua família. O imóvel será utilizado para abrigar uma entidade assistencial. Durante a solenidade de assinatura da escritura, o escritor falou sobre o seu trabalho na Rede Globo de Televisão, como autor de minissérie e novelas, em especial o próximo lançamento, a adaptação da obra de Lygia Fagundes Telles, “Ciranda de Pedra”.

C
omo foi o ano de 2007 para o escritor Alcides Nogueira?
Para mim foi um ano bom, entretanto, muito complicado de se administrar. Mesmo assim não posso reclamar, tive um bom espetáculo e
m cartaz em São Paulo (A Javanesa), que teve uma repercussão muito legal. Uma peça que me fez muito bem.
Tive também a aprovação de minha sinopse para a novela
(Ciranda de Pedra), que é algo muito bom para se fazer, apesar do ritmo de trabalho insano. Não posso reclamar, mas realmente é muito trabalho e sei que em 2008 será mais ainda.
A novela já tem uma previsão de estréia?
Deve ir ao ar no dia 4 de julho. Tenho que entregar 18 capítulos até março e são capítulos difíceis de serem escritos pois eles dão a embocadura da novela. Isso é o que eu gosto de fazer, mas é um problema sério, são de 12 a 14 horas de trabalho por dia, uma loucura.
Você já traçou planos para desenvolver após essa adaptação?

Após a novela, se estive
r vivo, quero dar uma boa descansada e escrever algum texto para o teatro. Acho o teatro essencial, é o lugar onde vou me reenergizar, já que a televisão é realmente muito desgastante, é massacrante e infelizmente não tem como fugir disso. O autor é obrigado a apresentar um capítulo por dia, sejam da novela ou minissérie.
Venho de duas minisséries gigantescas, (Um Só Coração e JK), foram trabalhos que exigiram uma pesquisa muito grande, a partir daí tem aquela coisa de começar a ficar estressado. Tive um ano bom que pude viajar e descansar, sair um pouco, mas eu sei que na verdade o lugar onde consigo mesmo voltar a criar e ter energia é no palco, o teatro tem essa magia e força.

A questão de elenco/equipe técnica dessa novela está bem traçada?
O núcleo ond
e serão desenvolvidos os trabalho é muito sério e competente. O núcleo é liderado pela Denise Saraceni, o último grande sucesso assinado por ela foi “Belíssima”, a direção geral também será dela e do Carlos Araújo, profissional que trabalhou comigo em “Um Só Coração”, na direção geral e na novela “Força de um Desejo”. Já temos alguns atores de peso confirmados, como o Marcelo Anthony, Marcos Ricca, Bruno Cagliasso, Fernanda Machado, Paula de Oliveira, enfim, um elenco formado com muito cuidado e carinho. Se você erra no elenco não há texto ou direção que salve, o importante é o personagem e o ator conseguirem encontrar esse personagem. Como exemplo dessa entrega do ator ao personagem podemos citar a novela “Paraíso Tropical”, onde a Camila Pitanga conseguiu um sucesso estrondoso com a personagem Bebel, ela incorporou o personagem de uma forma que fez com que o Brasil inteiro aprendesse a amar.
Acho isso muito bonito em um ator, ela deu uma diginidade que a prostituta merece e politicamente precisamos reconhecer isso. Foi um desafio que ela encarou, não apelou para a auto piedade ou caricatura, ela fez uma mulher com altos e baixos, com suas maldades e bondade.

Esse texto da Lygia Fagundes Telles já recebeu uma adaptação, você acredita que poderá haver comparações?
Com certeza vai haver comparações. Foi desenvolvido um plano estratégico com o pessoal de comunicação da Rede Globo, que é lançar a novela como uma nova adaptação e não um remake.
O que eu faço hoje é uma releitura de um livro da Lygia Fagundes Telles, 25 anos após a primeira adaptação, estou abordando os temas apresentados pela escritora de outra maneira, afinal são 25 anos e muita coisa melhorou outras pioraram e temos um problema seríssimo na TV, que é a questão da classificação etária. É uma verdadeira censura tão dura e terrível quanto a censura na época da ditadura. Não se pode tratar de algumas coisas às 18 horas e às 18h10 pode.

Como você analisa essa questão da classificação etária?
Nós da televisão brigamos muito para que houvesse uma auto regulamentação, mas no final das contas isso está sendo imposto e é muito ruim e não tem diferença nenhuma daquilo que foi feito durante a época autoritária aqui no Brasil. Puxa vida, a gente está vivendo em plena liberdade, temos um governo absolutamente livre e não tem porque ter essa restrição.
A promotoria pública está sendo muito dura e subestimando o espectador que é inteligente e sabe o poder do controle remoto, quando ele não quer assistir algo ele muda de canal mesmo.
Reconheço que a TV é um veículo evasivo, entra na casa da família e toma conta, e ainda mais em um país como o nosso, carente em praticamente tudo, poucos brasileiros tem condições de comprar um livro, ir ao cinema ou ao teatro.
De qualquer forma, a TV se tornou uma das melhores do mundo exatamente por produzir muito bem, principalmente as minisséries e as novelas, que são de alta qualidade.
Acredito que da mesma forma que a TV procurou crescer, o Estado também tem a obrigação, de forma apolítica e acima de partidos, de assumir uma postura menos colonialista, da forma como foi colocada essa questão da faixa etária é como se quisessem dirigir a cultura para alguma tendência, quando o princípio básico da cultura é a liberdade, não pode haver censura.
Qual a sua preferência, trabalhar temas atuais ou históricos?

Eu prefiro novelas de época, por vários motivos, oportunidade de revisitar e resgatar fatos, isso é muito gostoso de escrever. Eu acho que uma novela às vezes acaba informando, por exemplo quando fiz a minissérie JK com a Maria Adelaide Amaral, muitos ligaram e disseram que não sabiam que a história do Juscelino era aquela, a minisérie passou a ser uma aula de história, é lógico que para fazer isso nos cercamos de uma enorme equipe de pesquisadores e historiadores, o que é muito bom pois o produto é sério e preenche inclusive a necessidade histórica.
Toda a novela urbana é muito atraente, mas amanhã, quando entrar no ar outra novela as pessoas já esqueceram a anterior.

EVSA faz busca ativa e bloqueio contra dengue na Vila dos Lavradores

Secretaria Municipal de Comunicação - Botucatu

A Equipe de Vigilância em Saúde Ambiental realizou nesta sexta-feira, dia 11, trabalho de busca ativa e bloqueio contra a dengue na Vila dos Lavradores, local onde foram notificados nesta semana dois casos suspeitos da doença.
A ação consiste em visitar todas as casas em um raio de 500 metros dos locais notificados para verificar se mais alguém está com sintomas da doença e eliminar possíveis criadouros do mosquito. “Os agentes já fizeram bloqueio e remoção de criadouros na região da Cohab 1, onde também foi registrado um caso suspeito de dengue. As informações serão colhidas pelos agentes de saúde e pedimos para que os moradores colaborem, passando o máximo de informações possíveis”, explica o coordenador da EVSA, André Peres.
Nesta semana, sete suspeitas de dengue foram confirmadas pela Secretaria de Saúde. Os exames dos pacientes que apresentaram os sintomas já foram encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz para análise. Três casos foram registrados no Setor Norte da cidade, sendo dois na Vila dos Lavradores e um no Jardim Paraíso, e o restante no Jardim Ipiranga, Cohab 1, Jardim Cristina e Vila Jardim.Na próxima semana, a EVSA dará início ao trabalho de medição do Índice de Breteau que avalia a infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A última avaliação foi feita no mês de novembro, quando índice ficou em 0,33. “O número ficou dentro do preconizado. O ideal é que o índice fique abaixo de 1,0. No período de 14 a 18 de janeiro iremos trabalhar em todas as regiões da cidade colhendo amostras para saber como está a infestação do mosquito no nosso município”, afirma o coordenador.
A EVSA solicita aos moradores que colaborem eliminando possíveis criadouros do mosquito em suas residências e que diante de qualquer sintoma suspeito da doença, como febre prolongada, e dores pelo corpo, principalmente atrás dos olhos, que procurem assistência médica. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 150.

Participação de Ramiro viola e Pardini no programa Nota 10



Matéria gravada pelo Programa Nota 10 em Rubião Junior , distrito de Botucatu no Museu do Boiadeiro com a dupla Ramiro Viola e Pardini.
musica Tristeza do Jeca
Autor Angelino de Oliveira